Na calma, ao olhar o horizonte, um turbilhão de pensamentos nos invade e surge a pergunta: o que realmente nos pertence nesse emaranhado mental? Grande parte desses pensamentos pode não ser originária de nós. Essa ideia é bem explanada pelos ensinamentos da Doutrina Espírita, ao falar sobre a influência dos Espíritos em nossos pensamentos e ações.
No mar de pensamentos, o que é nosso e o que é influência externa?
Todos os dias somos bombardeados por uma infinidade de ideias e pensamentos.
Mas uma grande maioria deles podem não ser genuinamente nossos. Isso certamente nos leva a uma complexa questão: como discernir entre o que é fruto do nosso íntimo e o que é influência espiritual externa?
Segundo a visão espírita, esta é uma tarefa desafiadora, pois muitas vezes os pensamentos induzidos por Espíritos se misturam aos nossos de forma quase imperceptível.
Encostos e baixo astral: como identificar e proteger-se.
É preciso estar atento à presença de “encostos”, isto é, de Espíritos que se ligam a nós, podendo causar sensações de desânimo ou baixo astral.
Essa conexão pode afetar nosso estado emocional e mental, levando-nos, então, a sentir sensações de peso e estranheza.
E para proteger-se desse baixo-astral é preciso, em primeiro lugar, reconhecer essas influências e não assumi-las como próprias.
Para isso, a Doutrina Espírita aconselha a busca pela paz interior e a manutenção de pensamentos elevados para que se estabeleçam barreiras contra as influências negativas.
Sinais de alerta: identificando a influência espiritual.
Irmã Scheilla, no livro “Ideal Espírita”, descreve dez sinais que podem indicar uma propensão à influência e até mesmo à obsessão espiritual:
- Impaciência: quando nos tornamos intolerantes e irritadiços.
- Exacerbação da dor: a crença de que nosso sofrimento é o maior de todos.
- Ingratidão percebida: ver traição ou falta de gratidão nos amigos.
- Maldade nas atitudes alheias: imaginar intenções negativas nos outros.
- Foco no negativo: comentar aspectos infelizes das pessoas.
- Busca por apreciação: reclamar de falta de reconhecimento ou valorização.
- Sensação de excesso de trabalho: acreditar que nossos esforços são desproporcionais.
- Exigência sem contribuição: demandar esforço dos outros sem oferecer ajuda.
- Fuga de si mesmo: recorrer a substâncias como álcool ou drogas para escapar.
- Evitar responsabilidades: julgar que o dever é somente dos outros.
Esses sinais são indicativos que podemos estar sob influência espiritual negativa, levando-nos, até mesmo, a um estado de obsessão.
A Doutrina Espírita recomenda, nesses casos, a busca pela oração e pelo discernimento para que assim se retome o equilíbrio e a serenidade.
Como proteger os nossos pensamentos contra a influência negativa dos Espíritos.
O fortalecimento do bem e da luz interior é fundamental para nos protegermos de influências espirituais negativas.
Manter a firmeza em pensamentos positivos e no bem pode nos ajudar a repelir essas influências.
Cada indivíduo, de fato, possui uma luz própria e uma proteção espiritual inerente, que pode ser fortalecida pela consciência e pelo autoconhecimento.
Portanto, na nossa jornada, é de extrema importância ficarmos atentos aos nossos pensamentos e às nossas emoções, discernindo o que verdadeiramente nos pertence e o que pode ser influência externa.
O caminho para a proteção de nossos pensamentos contra a influência dos Espíritos passa, portanto, pelo autoconhecimento, pela busca da paz interior e pelo desenvolvimento constante da moral e da espiritualidade.
José Batista de Carvalho
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