A obsessão que vem de nós mesmos.
A auto-obsessão, como o próprio nome sugere, é uma influência sutil, que facilmente passa despercebida, mas que atrai negatividade. Pode se facilmente confundida com um processo obsessivo, uma vez que causa prostração, apatia, irritação, além de outros indícios que poderiam indicar a obsessão espiritual.
O Espírito Hammed¹ traz importantes esclarecimentos para reconhecermos essa situação e tomarmos as precauções necessárias. Ele explica: “A influência obsessiva da alma sobre si mesma denomina-se ‘auto-obsessão’. A criatura passa a ser ‘a opressora de si própria’; há um verdadeiro ‘campo de batalha’ em seu mundo interior, provocando alterações de comportamento físico, emocional e mental.”
Certamente, é de fundamental importância conhecer os cuidados necessários para evitar que esse desequilíbrio se instale em nossa vida. E para isso, é preciso entender como a auto-obsessão começa. Vamos, então, às explicações de Hammed.
O papel dos pensamentos na nossa vida.
Hammed dá as diretrizes para entendermos como o nosso pensamento influi no começo da auto-obsessão, e, sem dúvida, em toda a nossa existência.
O mentor espiritual explica como funciona a dinâmica do pensamento: “Ao pensar, através de seu centro mental, (a pessoa) irradia vibrações ou ondas que se propagam ao seu derredor. A mente emite e, ao mesmo tempo, capta qualquer onda energética que a atinja, desde que esteja vibrando na mesma sintonia espiritual de outra fonte emissora.
Cada pessoa plasma os reflexos de si mesma e, por onde passa, entra em comunhão com a matéria mental alheia, exteriorizando o seu melhor lado, ou mesmo, criando perturbação ou desajustamento. Em síntese: somos nós mesmos que ligamos ou desligamos o fio condutor de nossos sentimentos e pensamentos.”
Em outras palavras, qualquer pensamento emite ondas que se alastram à nossa volta. E, ao mesmo tempo que emitimos essas ondas – ou vibrações – também captamos as ondas emitidas por outras pessoas (que podem ser encarnadas ou desencarnadas) que estejam na mesma sintonia.
Então, em qualquer lugar que estejamos, dependendo daquilo que pensamos, atraímos energias semelhantes. Ou seja, a forma pela qual nós pensamos atrai harmonia e serenidade ou perturbação e inquietação. E por isso precisamos orar e vigiar os nossos pensamentos.
Como começa a auto-obsessão.
Falando especificamente da auto-obsessão, Hammed faz um paralelo com a emissão dos pensamentos. A vinculação mental que ocorre, como vimos acima, depende do grau de evolução de cada pessoa, no que diz respeito à força de vontade e ao grau de conhecimento.
Afinal, uma vez conhecendo a ação da mente e as ligações que disso se originam, precisamos da vontade bem dirigida para evitar a atração de forças que nos prejudiquem. Então, sabendo que a desarmonia interior atrai energias doentias ou destrutivas, precisamos nos empenhar em modificar o nosso padrão mental.
Caso contrário, caímos nas malhas das baixas vibrações, passamos a nos considerar “vítimas do destino”, vivemos os dias envoltos por uma névoa de apatia e passividade, uma vez que nos julgamos imperfeitos e incapazes.
Como diz Hammed, “geralmente, a auto-obsessão vem acompanhada de sentimentos de culpa, de autocensura, de recriminação, de complexos de inferioridade e de irresponsabilidade pelo próprio destino.”
“Os auto-obsidiados sentem-se tratados de forma injusta pela vida, ressaltando negativamente o modo de ser das pessoas, das coisas e de si mesmos.”
“São facilmente influenciados e se asfixiam constantemente com as ‘sujeiras do mundo’. Por terem uma aura de negatividade, atraem ‘larvas astrais’ que desarranjam o reino interior.”
Os indícios de uma auto-obsessão.
Como saber se estamos só desanimados ou se podemos estar passando por esse processo auto-obsessivo? Vamos recorrer mais uma vez a Hammed, que explica:
“Aquele que se encontra em auto-obsessão experimenta um modo de viver complicado ou embaraçado. Tem dificuldade de analisar, discernir e sentir a vida tal como ela é, pois lhe falta a ‘visão sistêmica’ da existência humana. Ele carece da síntese das experiências vividas, pois seu pensamento analítico fica obstruído.”
Ou seja, não é uma situação passageira, o desânimo originado por uma contrariedade, uma frustração ou até cansaço. E está fortemente relacionada ao que ele chama de “processos de elaboração do mundo íntimo”. O autor espiritual explica melhor esse conceito:
“É importante tomar consciência do quanto ignoramos a vida dentro e fora de nós. Sobretudo quando o fato de ignorar nos leva à humildade, por admitirmos o quanto não sabemos, como também nos incentiva na busca do aprendizado e da sabedoria.”
Além disso, Hammed também enfatiza que, quanto mais nos deixamos levar por sentimentos de “mágoa, culpa, crítica, baixa estima, ilusão, dependência e outras tantas “dores da alma”, mais estaremos semeando farpas magnéticas no campo emotivo e intoxicando, por conta própria, a nossa atividade mental”.
O que fazer para nos libertarmos da auto-obsessão.
Segundo Hammed, “para nos libertarmos das prisões da auto-obsessão, é necessário exercitarmos a auto-observação e aprendermos a testemunhar nossos próprios pensamentos, emoções, atos e atitudes.
Mais ainda, é preciso desenvolvermos uma visão interior que não acusa nem julga, mas unicamente observa, de maneira imparcial e objetiva, permitindo-nos conhecer a verdade tal como é.
Além disso, é imprescindível aquietarmo-nos numa aceitação serena e honesta, admitindo o que somos e o que sentimos, sem jamais nos condenarmos ou punirmos.”
O mentor espiritual, em outras palavras, quer nos compenetrar da necessidade de seguirmos pelo caminho do autoconhecimento. Reconhecer quem somos, aceitar as nossas falhas e as nossas dificuldades e procurar reajustá-las também nos leva a considerar a existência de imperfeições naqueles que nos cercam.
Dessa forma, aprendemos a olhar os nossos semelhantes com mais compreensão, tolerância e paciência, evitando o acúmulo de pensamentos e sentimentos de negatividade. Afinal, como já sabemos, isso não é bom para nós, pelo fato de atraírem uma carga maior em nossa direção.
A cura para todos os empecilhos da vida está em nós mesmos.
“A autoaceitação nos facilita a conscientização de nossos desacertos e de nossa ignorância e, se essa conscientização for progressiva e constante, aí então descobriremos dentro de nós as fontes que nos perturbam a existência”, continua Hammed.
“Assumindo a responsabilidade total por nosso desequilíbrio, não passamos mais a ‘atribuir à ação direta dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são consequência da nossa própria incúria ou imprevidência’, nem tampouco a lançar culpa nos outros – na família, nas pessoas com quem convivemos, nas existências do passado ou nas regras injustas da sociedade.
A rigor, aqui está o início da cura de toda auto-obsessão,” finaliza Hammed.
Redação Espiritismo em Foco
1 – Hammed, em “A imensidão dos sentidos”, psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto
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