
Nem tudo é festa e alegria durante o Carnaval.
Benfeitores espirituais, circulando pelas ruas, praças e avenidas, se deparavam com os excessos cometidos nos dias de Carnaval pelas pessoas imprevidentes, desconhecendo as consequências a que poderiam se sujeitar. Mas o socorro espiritual, sempre presente, também não faltava durante as folias de Carnaval.
Não faltava o auxílio vindo do Mais Alto, relata Manoel Philomeno de Miranda¹, com as pancadas de chuva que se sucediam “em abençoado, desconhecido socorro, espancando e espalhando as densas nuvens psíquicas de baixo teor vibratório que encobriam a cidade.”
Apesar disso, diz o autor espiritual, o ruído dos trovões se misturava aos ruído dos instrumentos de percussão, e as pessoas continuavam acompanhando “o cortejo das grandes Escolas de samba, no brilho ilusório dos refletores, que se apagariam pelo amanhecer.” E não se davam conta da multidão de Espíritos aproveitadores e perversos que ali se misturavam.
Uma questão de sintonia.
Aproveitando-se dos foliões descuidados e daqueles já em estado desvairado, Espíritos mal-intencionados usavam a ocasião para atingir a todos com induções nefastas. Enquanto isso, outros buscavam vítimas em potencial para iniciar processos de obsessão prolongada.
Muitas alegorias representavam as regiões inferiores do Além, com suas expressões grotescas, aumentando ainda mais a presença de energias negativas no ambiente. O seres trevosos se compraziam ainda mais ao ver a sintonia com os seus ambientes, bem como com a representação das suas indumentárias e preferências.
E nesse ritmo, continua Manoel Philomeno, “como acontecera nos anos anteriores, aquela segunda-feira de Carnaval convidava ao desaguar de todas as loucuras no delta das paixões da avenida em festa. Milhares de pessoas imprevidentes, estimuladas pela música frenética, pretendendo extravasar as ansiedades represadas, cediam ao império dos desejos, nas torrentes da lubricidade que as enlouquecia.“
O socorro do plano espiritual está presente também durante as folias de Carnaval.
Como podemos então entender, as investidas espirituais nefastas nessas ocasiões, são habituais para aqueles que se conectam com os seres que ali transitam através dos fios imperceptíveis do pensamento. A sucessão de cenas, algumas deprimentes e outras selvagens, torna-se constrangedora. “As duas populações – a física e a espiritual, em perfeita sintonia – misturavam-se, sustentando-se, disputando mais largas concessões em simbiose psíquica’, diz o benfeitor espiritual.
Mas ele também esclarece que, “não obstante, como sempre ocorre em situações dessa natureza, equipes operosas de trabalhadores espirituais em serviços de emergência, revezavam- se, infatigáveis, procurando diminuir o índice de desvarios.”
E os efeitos prejudiciais das conexões espirituais que se estabeleciam com os Espíritos de baixa índole poderiam, inclusive, permanecer e se manifestar a médio e longo prazo. Por isso os dedicados benfeitores espirituais não mediam esforços “para defender os incautos menos maliciosos, enfim, socorrer a grande mole em desequilíbrio ou pronta para sofrer-lhe o impacto.”
Dr. Bezerra de Menezes à frente das equipes espirituais de auxílio.
Os preparativos para os atendimentos de socorro espiritual prestados durante os dias das folias de Carnaval certamente não eram improvisados. “Desde as vésperas haviam sido instalados diversos postos de socorro, no nosso plano de ação”, conta o autor espiritual. O objetivo era recolher os Espíritos desencarnados que se juntavam à festa irresponsável, aqueles que foram ajudar pessoas queridas distraídas com a vigilância, e “ao mesmo tempo, minimizando os infortúnios que poderiam ocorrer.”
E quem estava à frente da numerosa equipe composta por médicos, enfermeiros, técnicos em socorros especiais era o Dr. Bezerra de Menezes. Ele “tomava providências, distribuía informações e cuidava, pessoalmente, dos casos mais graves, nos quais aplicava os recursos da sua sabedoria.
As horas avançavam num recrudescer de atividades, fazendo recordar um campo de guerra, em que os litigantes mais se compraziam em ferir,
malsinar, destruir… Frente de batalha, sem dúvida, em que se convertia a cidade, naqueles dias, cujo ônus lhe pesava, cada ano, em forma de maior incidência na agressividade, na violência, nos desajustes socioeconômicos lamentáveis…”
O atendimento às solicitações de auxílio.
No Posto de Socorro Central da equipe espiritual, aprimoradamente organizada, estabeleceu-se que o socorro atenderia apenas as solicitações relativas ao Carnaval, abrangendo todas as vítimas que sofressem agressões, violência, ultrajes ou desastres. “De nossa parte – informou Manoel Philomeno de Miranda –, nenhuma insistência ou interferência indébita deveria ser assumida.”
No Posto de Socorro estava também montado um centro de comunicações. Ali se registravam “apelos e notícias de vária ordem, donde emanavam as diretrizes para o atendimento dos casos passíveis de ajuda imediata. Os outros ficavam selecionados para ulteriores providências, quando diminuíssem os fatores desagregantes do equilíbrio geral.”
Uma das equipes se encarregava de selecionar as preces e rogativas feitas em favor de pessoas queridas. A preocupação se dirigia a pessoas queridas que, por descuido, ingenuidade ou suscetibilidade, poderiam se deixar envolver pelas entidades malfazejas. Estes fatores poderiam levar a uma folia alucinante, na busca por um estado ilusório de alegria, provocando assim uma imersão no labirinto de vícios e desregramentos.
Além de direcionar o atendimento aos necessitados, os integrantes das equipes espirituais agiam também “intercambiando forças de auxílio aos orantes contritos, enquanto aparelhagens específicas acolhiam pensamentos e forças psíquicas que se transformavam em agentes energéticos que irradiavam correntes diluentes das condensações deletérias.”
Compaixão e solidariedade presentes no socorro durante as folias de Carnaval.
O ambiente carnavalesco, sob a visão da espiritualidade, continuava revelando uma agitação intensa. Entidades de baixa vibração se nutriam das emanações inferiores desprendidas pelos foliões, incentivando-os aos excessos, estreitando os laços e aumentando a sua capacidade de influenciação.
“Mais se parecia o local com uma praça de guerra, burlescamente apresentada, em que o ridículo e a dor se ajustavam em pantomima de aflição. A máscara do sofrimento, no entanto, fazia-se presente, convidando à compaixão, à solidariedade”, comenta o autor espiritual.
Dr. Bezerra disse, então: “Não se creia que todos quantos desfilam nos carros do prazer, se encontrem em festa. Pessoas responsáveis, portadoras de inquietações que fazem parte do processo de evolução, deixam-se mergulhar na bacanal inconsequente, sem pensarem no dia seguinte Incontáveis têm a mente subjugada por problemas de que procuram fugir (…) Raros divertem-se, descontraem-se sadiamente, desde que os apelos fortes se dirigem à consunção de todas as reservas de dignidade e respeito nas fornalhas dos vícios e embriaguez dos sentidos.”
Com as descrições fornecidas pelos mentores espirituais, vemos como é importante manter os pensamentos numa vibração elevada. Atendemos, então, ao “orai e vigiai” a que Jesus nos exortou. Além disso, com a mente serena, podemos fazer uma melhor reflexão sobre as nossas escolhas. E, assim, direcionar nossas energias para cultivar a paz e a harmonia em nossa vida.
Redação Espiritismo em Foco
Referências
1 – Manoel Philomeno de Miranda, em “Nas Fronteiras da Loucura“, psicografado por Divaldo Franco.
2 – Psicosfera é um campo de emanações eletromagnéticas formado pelos sentimentos e pensamentos de encarnados e desencarnados, que se exteriorizam e podem nos influenciar para o bem ou para o mal, dependendo da qualidade da maioria das emanações predominantes no local.
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