
O impacto espiritual do Carnaval.
No coração das celebrações carnavalescas, uma mensagem profunda se esconde, aguardando a reflexão dos que buscam a luz da sabedoria. Afinal, o Carnaval pode dar passagem não só à alegria, mas também às forças das trevas, reveladas no impacto espiritual que se infiltra onde encontra portas abertas.
Neste período vibrante de festividades, em meio a danças, músicas e fantasias exuberantes, é essencial lembrar que a celebração exterior muitas vezes reflete lutas internas. Assim, enquanto os foliões se entregam ao fervor do momento, muitos exteriorizam as suas próprias sombras, sua tristeza, angústias e sentimentos reprimidos. E sem perceber, atrelam suas vidas a uma escuridão que pode lhes custar a paz.
Emmanuel, Espírito de elevada estatura moral, nos oferece uma perspectiva enriquecedora sobre este evento que, anualmente, agita multidões. A sua visão não é de condenação, mas de compreensão ampla sobre os efeitos espirituais e morais que o Carnaval pode acarretar.
O lado sombrio do Carnaval: uma porta aberta para as forças das trevas.
A indisciplina moral e sentimental nos dias de Carnaval abre portas para as “forças das trevas”. Com isso, compromete não apenas o momento presente, mas, por vezes, toda uma existência. Emmanuel* nos alerta sobre a “apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.”
“É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana,” diz o mentor espiritual, “… que se verifiquem excessos dessa natureza, entre as sociedades, que se pavoneiam com o título de civilização.”
Emmanuel adverte que os trabalhos e as dores superados diariamente, mas muitas vezes incompreendidos, moldam o caráter e os sentimentos, trazendo benefícios ao progresso espiritual. Por outro lado, a licenciosidade dos dias de Carnaval prejudica as almas indecisas e carentes de apoio moral, reavivando instintos animalescos que só longos anos de aprendizado podem reverter.
As forças das trevas encontram oportunidade de se fortalecer nos dias de Carnaval.
A alegria e a descontração sadias fazem parte do bem-estar, da socialização. Mas os excessos que acontecem nos festejos carnavalescos, álcool, substâncias tóxicas, licenciosidade, atraem toda uma população espiritual que se compraz com esses ritos, ligando-se às pessoas, incentivando-as, e muitas vezes levando a eventos traumáticos ou até fatais.
E mesmo aqueles que estão ao redor, embora desfrutando de uma boa energia, divertindo-se sem excessos, podem também ser assediados, quando alguma brecha é encontrada pelas entidades trevosas.
“Há nesses momentos, de indisciplina sentimental e moral, o largo acesso das forças das trevas, nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever,” alerta o benfeitor espiritual.
A verdadeira alegria: solidariedade e amor.
Emmanuel evidencia o contraste doloroso entre a efusividade dos festejos e as necessidades básicas não atendidas de tantos seres. Enquanto uns se entregam ao esquecimento de suas obrigações com a solidadriedade, outros estendem mãos súplices, ansiando pelo mínimo de assistência.
“Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem. (…) Ao lado dos mascarados da pseudoalegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Porque protelar essa ação necessária, das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem?“
A crítica do benfeitor espiritual ao Carnaval não visa à repressão da alegria, mas à reflexão sobre a qualidade e as consequências dessa alegria. E a sua mensagem traz um importante chamado. Ele nos convoca para que as energias e recursos despendidos em tais festividades sejam redirecionados para ações de assistência e amparo aos mais necessitados.
O elevado mentor espiritual conclui: “É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos; mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer, com isso, um eloquente atestado de sua miséria moral.”
A verdadeira festa do Espírito reside, sem dúvida, na capacidade de estender a mão, de ofertar auxílio aos que sofrem silenciosamente, à margem dos nossos excessos. Emmanuel faz um convite para que todos se unam numa ação conjunta de transformação social, substituindo o supérfluo pelo essencial, o desperdício pela solidariedade.
Redação Espiritismo em Foco
Referência
*Emmanuel, em “Cartas do Alto — Autores diversos“-74-Sobre o Carnaval, psicografia de Chico Xavier. (2ª Parte da coletânea de mensagens inéditas de Chico Xavier publicadas no Reformador, revista da Federação Espírita Brasileira, em fevereiro de 1987.
Mensagem psicografada em julho de 1939. Posteriormente, foi encartada na Revista Internacional de Espiritismo da Editora O Clarim, em sua edição de janeiro de 2001, páginas 565-566
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Excelente, bem escrito e adverte a todos os que se enveredam pelo desequilíbrio de poucos dias.
Agradecemos o seu comentário e a oportuna colocação sobre manter o equilíbrio, uma vez que as ligações espirituais se realizam pelo pensamento e pelas emoções a ele vinculadas. Por isso a importante orientação do Cristo quanto a orar – mantendo a ligação com a espiritualidade superior, e vigiar os pensamentos – mantendo-os numa faixa elevada de vibração. Esperamos que continue a acompanhar nossas publicações!