
O que precisamos para conseguir perdoar os inimigos.
É possível amar os inimigos? Jesus não só disse que é possível, como no momento de seu maior sofrimento, ele exemplificou essa atitude. Suas últimas palavras foram um pedido a Deus para perdoar aqueles que se mostraram seus inimigos. Além disso, ele nos deixou essa atitude como algo a ser seguido quando, no Pai-Nosso, deixou claro: “assim como nós perdoamos aqueles que nos ofenderam.”
Certamente, muitas foram as passagens da vida do Cristo onde ele reforça essa necessidade. Como, por exemplo, quando diz para “perdoar setenta vezes sete”, ou quando concita “quem não tiver pecado a atirar a primeira pedra”, entre tantas outras. Mas por que, muitas vezes, é tão difícil perdoarmos, não guardarmos mágoa, ressentimento ou raiva de alguém?
O perdão, sobretudo aos que nos fizeram mal, é uma atitude que precisa de muito entendimento, paz interior, paciência e dedicação constante para atingir o objetivo pretendido. É, talvez, uma das tarefas mais difíceis que Jesus nos deixou, dentro do mandamento maior de “amar o próximo”.
A orientação de Jesus analisada na Codificação espírita.
Vamos, então, buscar orientação para conseguir amar os inimigos numa das obras da Doutrina Espírita, de Allan Kardec. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo“, o ensinamento de “retribuir o mal com o bem”, inserido no Capítulo XII, explica sobre a importância de amar os inimigos, tendo como base os evangelhos de Mateus (5:20 e 5:43 a 47) e de Lucas (6:32 a 36).
Os Espíritos da Codificação nos trazem esclarecimentos e orientações importantes a fim de nos ajudar a entender como aplicar esse princípio em nossas vidas. Eles explicam, por exemplo, porque devemos amar os inimigos. Uma vez que o amor ao próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação deste princípio.
Essa é, sem dúvida, uma virtude que representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho. No entanto, é comum ocorrer equívocos quanto ao sentido que damos à palavra “amar” nessa relação com os desafetos.
Existe uma diferença entre amar amigos e inimigos?
Certamente, quando Jesus falou sobre amar os inimigos, ele não pretendia que tivéssemos a mesma atitude de ternura e de confiança como aquela que temos com os nossos amigos, nem que sentíssemos o mesmo afeto por eles.
Portanto, a palavra “amar” tem acepções bem diferentes em relação aos sentimentos e às ações quando falamos de relações de amizade ou de inimizade. A razão é que deve estabelecer as diferenças conforme os diferentes casos.
Assim, podemos entender que o ensinamento que Jesus nos deixou quer dizer para não guardar ódio, nem rancor e muitos menos desejo de vingança. Devemos perdoar a quem nos causou mal, não opor obstáculos à reconciliação e inclusive ajudar quando necessário.
E claro que é importante, também, abster-se de palavras e atos que possam, de qualquer forma, prejudicar aquele que consideramos um inimigo, uma vez que esse “amar” implica em retribuir sempre o mal com o bem, em qualquer circunstância, e sem a intenção de despertar um sentimento de humilhação.
Quem são esses inimigos que devemos aprender a amar?
Uma das explicações trazidas pelo Espiritismo se refere à reencarnação, isto é, às diferentes existências terrenas que já tivemos. Portanto, precisamos levar em consideração que os inimigos de hoje podem ter sido nossos amigos ou familiares em vidas passadas.
E, geralmente, devido a alguma ação tomada com base no egoísmo, na vaidade, no orgulho, criou-se um sentimento de animosidade que pode se estender por séculos. Além disso, também pode ser responsável por perseguições entre encarnados e desencarnados, em complexos processos de obsessão espiritual.
Por isso, muitas vezes, temos uma certa “antipatia gratuita” por alguém, além de inúmeras dificuldades na convivência com certas pessoas. É uma oportunidade, ao estarmos juntos nesta vida, para corrigir erros do passado que, no balanço das nossas ações, configuram dívidas que temos com os nossos semelhantes.
Amar os inimigos traz a paz interior.
E, ainda mais, o fato de perdoar os nossos inimigos, não é só um bem para eles. O perdão é libertação para nós. Nós nos libertamos do peso dos sentimentos negativos, dissipamos uma sombria e pesada nuvem que nos impede de seguir adiante, abrimos o nosso coração para que entre a luz e a paz do Cristo.
Por isso, na verdade, devemos agradecer a Deus pelas oportunidades que temos de reajustar antigos conflitos com as pessoas cujas vidas estão entrelaçadas às nossas desde outros tempos. Mas ainda que o atrito nas relações tenha se estabelecido em existências anteriores, é fundamental ter em mente que o perdão se refere a atitudes que acontecem na vida atual.
Afinal, por bondade divina, não temos a lembrança de nossas outras encarnações, das dores e sofrimentos que causamos ou que suportamos. Por isso não importa saber se um mal que sofremos é relacionado ao passado, ou é uma atitude nascida na existência atual. O que importa é nos libertarmos dos grilhões da revolta para alcançarmos a serenidade e a felicidade.
Pode não se fácil colocar em prática o valioso ensinamento do Cristo que nos diz para perdoar até o ponto de levar seu mandamento maior ao mais alto grau: amar os inimigos e pagar o mal com o bem.
Mas quando conseguimos cumprir o seu ensinamento, certamento nos aproximamos, cada vez mais, da evolução espiritual. E com isso, da criação de um mundo onde predomina o bem, a harmonia, a felicidade, a paz e o amor.
Redação Espiritismo em Foco
Referências para leitura
1 – “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec – Capítulo XII – Amai os vossos inimigos – Item 3 – Retribuir o mal com o bem
2 – Idem – Item 8 – Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra
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