A Dra. Marlene Nobre fala do poder de Deus e do poder da dor.
Para o Espiritismo, a dor não é castigo nem punição, e sim um instrumento de evolução e de aprendizado, muitas vezes uma lição difícil. E a Dra. Marlene Nobre nos ensina que, além do poder de Deus, a dor é a única força capaz de alterar o rumo dos nossos pensamentos.
Ela relembra também uma lição que Clarêncio nos trouxe no livro “Entre o Céu e a Terra”. Reproduzimos uma parte desta lição de Clarêncio.
Ele diz: “A dor é um grande e abençoado remédio porque nos reeduca a atividade mental. É ela, depois de Deus, a única força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos, impelindo-nos a indispensáveis modificações com vistas ao plano Divino, de que não podemos fugir sem graves prejuízos para nós mesmos.”
Por isso resgatamos aqui as palavras da nossa querida Dra. Marlene Nobre, em que ela fala da reforma íntima e de como se conhecer pela dor.
Vamos, então, aprender um pouco mais sobre a reforma íntima, com a Dra. Marlene Nobre.
Depois do poder de Deus, a dor é a única força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos.
Nesse longo percurso para sabermos como é a reforma íntima, nós temos algo muito importante: o conhecer-se pela dor. A dor é o grande e abençoado remédio: reeduca-nos a atividade mental, reestruturando as peças de nossa instrumentação e polindo os fulcros anímicos de que se vale a nossa inteligência para desenvolver-se na jornada para a vida eterna.
Depois do poder de Deus, é a única força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos, compelindo-nos a indispensáveis modificações com vistas ao plano Divino a nosso respeito, e de cuja execução não poderemos fugir sem graves prejuízos para nós mesmos.
Estes conceitos belíssimos são de Clarêncio, o Espírito guia de André Luiz, e que assim se expressa no livro “Entre a Terra e o Céu”. Ele nos ensina claramente o verdadeiro papel da dor, o quanto ela pode nos ajudar a modificar os pensamentos para melhor, quando bem aproveitada.
A dor não é castigo ou punição, mas instrumento de evolução.
Quando falamos de reforma íntima não podemos esquecer que a dor é instrumento de retificação. Ela nos induz ao autoconhecimento e à renovação.
À luz do Espiritismo, não vemos a dor como castigo ou punição, mas como instrumento de evolução, de aprendizado. Através dela modificamos as mazelas que trazemos de vidas passadas ou desta própria existência.
De forma didática, a dor nos faz valorizar os minutos de experiência na Terra, abrindo novos campos de aprimoramento e de progresso.
Não há dúvida de que os processos de sofrimento, nas suas mais variadas formas, provocam, na nossa alma, o despertar da consciência e a ampliação do nosso grau de sensibilidade para percebermos os aspectos edificantes que o coração, nas suas manifestações mais nobres, pode realizar.
É na dor que nós vemos quanto o ser humano é forte e como é verdadeira a ponderação de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, quando afirma: todos quantos sejam feridos no coração por revezes e decepções da vida, consultem serenamente a sua consciência, remontem pouco a pouco a causa dos males que os afligem e verão se, as mais das vezes, não poderão confessar: se eu tivesse feito ou se eu não tivesse feito tal coisa não estaria nessa situação. Essa observação está no Capítulo V – Bem-aventurados os aflitos.
A transformação após experiência de quase morte – EQM.
E como a dor modifica! Hoje em dia há um fato que chama atenção dos pesquisadores da experiência de quase morte, a EQM.
As pessoas que estiveram clinicamente mortas por alguns minutos e guardam lembranças das experiências que tiveram durante esse período, ao voltarem a viver, após ressuscitação, transformam completamente as suas existências.
Elas não têm mais atração pelas coisas materiais e passam a dedicar-se às tarefas de amor ao próximo. A EQM fez com que essas pessoas se voltassem para os seus verdadeiros interesses espirituais.
Mesmo não tendo passado por uma EQM, muitos doentes, durante um tratamento médico, são levados naturalmente a meditar sobre as origens e os motivos da doença, questionando sobre o verdadeiro sentido da vida: o que estamos fazendo aqui, qual a finalidade vida na Terra?
A dor nos ensina a valorizar os menores gestos.
Quem passa por um período de tratamento valoriza mais esse bem precioso que é a saúde. E mesmo por autodefesa, toma certos cuidados como mudar hábitos nocivos e transformar condutas desastrosas, a fim de se livrar da recaída para não mais repetir essas experiências desagradáveis.
Nas ocasiões em que adoecemos, muitas vezes somos obrigados a permanecer imóveis no leito, semiconscientes ou em estado desesperador, com dores dilacerantes, e por vários dias.
Como é bom nesses casos, nesse estado, recebermos o alívio confortador de um coração fraterno que cuida de nós, que nos visita. Como somos agradecidos àqueles que são solidários conosco no nosso sofrimento. Damos valor aos mínimos gestos de carinho, aos que antes não tinham significado nenhum para nós.
Ante o poder da dor, passamos a confiar mais no poder de Deus.
Conforme recebemos, também queremos proporcionar aos outros o mesmo alívio, o mesmo bálsamo. Amplia-se, assim, a nossa sensibilidade ao sofrimento do próximo, além do fortalecimento da fé na bondade do Criador e na dos próprios corações humanos. Passamos a confiar mais.
Quantos não descobrem dentro de si os valores eternos do Espírito, após terem sofrido longos períodos de tratamento ou perdas irreparáveis de entes queridos?
Quantos, ainda, não passam a valorizar as coisas simples da vida após padecerem dores morais, ou então padecerem em desilusões de caráter afetivo, ou dificuldades materiais?
Quantas criaturas não se transformam radicalmente depois de uma grave enfermidade, voltando-se para a prática da caridade e do amor ao próximo?
Precisamos aprender a bem sofrer.
Sem dúvida, neste mundo em que ainda impera o egoísmo, depois do poder de Deus a dor é a única força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos, compelindo-nos a indispensáveis modificações com vistas ao plano de vida.
A dor, portanto, é um excelente método de reforma íntima, de reforma interior. Por isso é preciso aprender a sofrer.
E “O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos mostra bem e mal sofrer, indicando que nós podemos crescer muito se soubermos sofrer bem, se soubermos sofrer com resignação.
Que possamos ter em nosso senhor Jesus Cristo, o mestre por excelência a nos guiar por esse caminho de evolução espiritual.
Dra. Marlene Nobre, em transcrição de Podcast da Folha Espírita
José Batista de Carvalho
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