Início » O ESPIRITISMO EXPLICA » Vida dos Animais » A vida dos animais nas explicações do Espiritismo

A vida dos animais nas explicações do Espiritismo

As explicações trazidas pelo Espiritismo sobre a vida dos animais.

A vida dos animais tem muitas explicações trazidas até nós pelo Espiritismo – inicialmente na Doutrina Espírita e em obras posteriores -, ajudando-nos a entender particularidades da existência dos nossos companheiros de existência terrena.

Em “O Livro dos Espíritos”, nas perguntas formuladas por Allan Kardec, os benfeitores espirituais trazem o entendimento sobre muitas das perguntas que nos fazemos:

  • os animais têm inteligência, pensam por si próprios?
  • eles têm alma?
  • estão sujeitos a algum tipo de evolução?
  • quando morrem, o que acontece com eles?
  • os animais evoluem?

Continue lendo para saber as respostas a estas e outras dúvidas sobre a vida dos animais, segundo as explicações do Espiritismo .

Qual a principal diferença que existe entre os homens e os animais?

Allan Kardec começa perguntando, no tocante à inteligência, se existe uma demarcação precisa na comparação entre homens e animais, buscando as explicações do Espiritismo sobre a vida em geral.

A resposta dada pelos Espíritos expõe que o homem “desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto.”

Muitos animais têm o físico dotado de mais possibilidades que o homem, pois “a Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação.” Além disso, com relação ao corpo, ambos encontram o mesmo fim, a morte e sua destruição, e nisto se igualam.

Mas o Espírito do homem tem atribuições decorrentes de seu livre-arbítrio, isto é, da sua inteira liberdade de escolha. Por isso os Espíritos da Codificação lamentam: “Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! Não sabeis distinguir- vos deles? Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus.”

Existe comunicação entre os animais?

E quanto à comunicação, eles têm alguma linguagem?, pergunta Kardec. Não, no que diz respeito à formação de sílabas e palavras, é a resposta dos mentores espirituais. Entretanto, entre eles, dizem mais até do que podemos imaginar. “Mas essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as ideias que podem ter.”

Mesmo aqueles que não emitem sons por nós reconhecíveis, sabem se compreender por outros meios. Afinal, uma vez inseridos numa vida de relações, “os animais possuem meios de se prevenirem e de exprimirem as sensações que experimentam. Pensais que os peixes não se entendem entre si?“, questionam os Espíritos.

Mesmo assim, a linguagem dos animais “é instintiva e circunscrita pelas suas necessidades e ideias, ao passo que a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência.”

Em sua vida atual, os animais têm inteligência e livre-arbítrio, conforme as explicações dadas pelo Espiritismo?

Os animais só agem pelo instinto? – é uma das perguntas feitas por Allan Kardec. Ao que os Espíritos da Codificação respondem que, na maioria, predomina o instinto. Entretanto, muitos agem “denotando acentuada vontade. É que têm inteligência, porém limitada.”

Neste caso, continua Kardec, tendo inteligência, eles têm também livre-arbítrio? Na resposta, os instrutores espirituais lembram que “os animais não são simples máquinas”. como muitos querem acreditar.

“Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade, possuem-na restrita aos atos da vida material.”

Os animais têm alma?

Uma vez que os animais possuem uma inteligência que lhes permite certa liberdade de ação, questiona o codificador da Doutrina Espirita, “haverá neles algum princípio independente da matéria?” A resposta é direta: “Há e que sobrevive ao corpo.”

Kardec quis então saber se esse princípio é semelhante à alma do homem. Quanto a isso, a explicação foi:
“É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus.”

Nas palavras de Chico Xavier, que tinha um imenso respeito e carinho pelos animais, os animais têm alma e valem pelos melhores amigos. E nós estamos para os animais assim como os anjos estão para nós. Assim, é nosso dever orientá-los, guiá-los e protegê-los em seu caminho evolutivo, da mesma forma que os anjos, bondosa e incansavelmente, fazem conosco.

Depois da morte, o que acontece com os animais?

Uma vez explicado que os animais têm alma, que é o princípio imortal, Kardec também quis saber o que acontece com os animais depois da morte do corpo material. A sua alma conserva a individualidade e a consciência de si mesma?

Com relação a esse questionamento, os Espíritos da Codificação responderam o seguinte: “Conserva sua individualidade. Quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.”

Ou seja, diferentemente do Espírito dos homens, eles não têm a percepção, isto é, a consciência do seu ser. Mas a sua vida, suas experiências e aprendizados, isto é, a vida inteligente, permanece como que em estado de dormência, aguardando a oportunidade da reencarnação.

A propósito da reencarnação, Kardec pergunta se é possível aos animais escolher a espécie de animal em que vão reencarnar. “Não, pois que lhe falta livre-arbítrio.”, esclarecem os Espíritos.

A alma dos animais fica no estado de erraticidade?

Ainda intrigado com a vida após a morte, Allan Kardec quer saber: “Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal vem a achar–se, depois da morte, num estado de erraticidade, como a do homem?”

“Fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante”, é a resposta. Ela é complementada com a explicação que o Espírito errante – a condição do Espírito depois da morte do corpo físico – é a de um ser que pensa e continua agindo por sua livre vontade.

Mas os animais não têm a consciência de si mesmo, que é “o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas.”

O termo “imediatamente” pode não ter o mesmo significado que lhe atribuímos, uma vez que a relação de tempo difere nos planos material e espiritual. Além disso, os Espíritos muitas vezes demoram séculos, até milênios para uma nova oportunidade de encarnação, o que não acontece com os animais.

Como explica o Espírito Miramez, “os animais, depois da morte física, ficam em uma espécie de estado de erraticidade. Certamente que existe lugar para todos na casa de Deus, visto que todos pertencemos a Ele, Criador Universal. Os animais estão sob a tutela de elevadas Entidades espirituais, a quem cabe deles cuidar com carinho e atenção.”

Quais as explicações do Espiritismo quanto à evolução da vida nos animais?

Outra questão que intrigava Kardec dizia respeito à evolução e à lei do progresso. Estariam os animais sujeitos a um processo de evolução?

“Sim, – respondem os Espíritos – e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.”

O codificador da Doutrina Espírita observa que “nada há nisso de extraordinário. Tomemos os nossos mais inteligentes animais, o cão, o elefante, o cavalo, e imaginemo-los dotados de uma conformação apropriada a trabalhos manuais. Que não fariam sob a direção do homem?”

Existe, certamente, os animais treinados para auxiliar os homens em serviços específicos. Mas os recursos da internet nos permitem ver cães e gatos surpreendidos por câmeras de vigilância fazendo “proezas” somente explicadas por um desenvolvimento da inteligência e de aptidões individuais. Além disso, animais de diferentes espécies convivendo como verdadeiros “amigos”, compartilhando brincadeiras, alimentos e afeto.

Os animais são mais evoluídos nos mundos superiores?

Vejamos a resposta dada quando Kardec pergunta: “Os animais progridem, como o homem, por ato da própria vontade, ou pela força das coisas?”

A resposta dá um claro entendimento entre a diferença principal entre os homens e os animais: a consciência e o livre-arbítrio: “Pela força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação.”

Portanto, pode-se deduzir que os sofrimentos pelos quais os animais passam servem de aprendizado no seu caminho de progresso e evolução. Diferentemente do homem, para quem muitos dos sofrimentos e tribulações se referem a reajustes necessários devido a atitudes de encarnações anteriores, consequências de suas escolhas. Nestas, sem dúvida a orientação de “fazer ao outro somente o que gostaria que fizessem a você” – e isso em relação a pessoas e animais – foi suplantada pelo egoísmo, pelo orgulho, pela vaidade e até pela maldade.

Um novo mundo nos chama a novos entendimentos.

Estamos caminhando a passos largos para a entrada da Terra num novo patamar dentro da escala planetária, quando ela deixará de ser classificada como mondo de provas e expiações e passará a fazer parte dos mundos de regeneração.

Essa mudança implica diretamente sobre os Espíritos que habitarão a Terra, entre os quais cada vez mais serão contados aqueles voltados ao bem, diminuindo, assim, os sofrimentos, as desigualdades e a violência.

Mas há um ponto principal que distingue homens e animais, de acordo com o esclarecimento dado a Allan Kardec pelos Espíritos da Codificação: “Nos mundos superiores, os animais conhecem a Deus?” O que teve a seguinte resposta: “Não. Para eles o homem é um deus, como outrora os Espíritos eram deuses para o homem.”

Certamente, ao conhecer a vida dos animais nas explicações fornecidas pelo Espiritismo começamos a compreender, um pouco que seja, as leis divinas que regem a criação e a evolução, dando-nos diretrizes para a nossa existência atual.

Noemi C. Carvalho

Referência

O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec – Parte Segunda – Capítulo XI – Dos Três Reinos – Os animais e o homem – Questões 592 a 603


Compartilhe para levar o entendimento sobre a vida dos animais para mais pessoas!
Comente, curta, e acompanhe também nossas outras publicações!


Deixe aqui o seu comentário

Rolar para cima

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo