As existências anteriores refletem na vida atual.
No campo da Doutrina Espírita, a reencarnação é um dos conceitos fundamentais, pois explica a jornada evolutiva do Espírito por meio de múltiplas existências. Nós carregamos para cada nova vida um conjunto de experiências, de aprendizados e também de dívidas morais contraídas nas existências anteriores. Portanto, na encarnação atual, sempre trazemos a bagagem resultante de vidas passadas.
Isso inclui os aprendizados, as aptidões que desenvolvemos, o progresso moral e intelectual, o bem que fizemos. Por outro lado, também trazemos as consequências de atitudes nossas que originaram sofrimento, dor ou que de qualquer forma se configuraram como ações prejudiciais.
Em outras palavras, o bem e o mal que fazemos se estendem e têm seus reflexos nas existências posteriores, não se limitam à vida em curso, nem se extinguem com a morte.
Provas e expiações, os caminhos para a evolução espiritual.
A Lei de Deus nos oferece dois caminhos principais para nossa evolução espiritual: a prova e a expiação. A prova se refere aos desafios que enfrentamos para testar nossas virtudes e capacidades, enquanto a expiação está relacionada ao resgate de nossos erros passados.
Quando cometemos erros graves, necessitamos de expiações que podem se manifestar como grandes sofrimentos ou dificuldades em nossa vida atual. Os erros menores podem resultar em dificuldades financeiras, problemas sociais ou afetivos.
Assim, por exemplo, uma pessoa infiel ou traiçoeira em uma vida passada, pode renascer enfrentando desafios no relacionamento familiar ou conjugal. Já aqueles que cometeram crimes ou atos de grande crueldade podem precisar passar por situações extremamente dolorosas para reparar o mal causado.
A reencarnação e suas implicações como oportunidade de crescimento.
Cada reencarnação é planejada de forma que possamos aprender e evoluir. As nossas reencarnações são traçadas com um perfil específico, levando em consideração as nossas aptidões, bem como as necessidades de aprendizado.
Dessa forma, por exemplo, uma pessoa pode aprender a tocar vários instrumentos em encarnações precedentes, para renascer com aptidões para se tornar um grande compositor ou intérprete. Observamos isso frequentemente em crianças que tocam ou cantam de forma surpreendente.
É importante ressaltar que, embora o plano reencarnatório inclua certos sucessos e insucessos, o livre-arbítrio desempenha um papel de grande importância. As escolhas que fazemos ao longo da vida podem, sem dúvida, nos aproximar ou afastar de nosso objetivo espiritual.
Portanto, mesmo que tenhamos uma predisposição para determinados comportamentos ou situações, é nossa responsabilidade usar o livre-arbítrio para optar pelo bem e pela evolução moral.
Das vidas passadas, trazemos o resultado dos encontros e desencontros.
Reencarnamos, também, com a tarefa de reencontrar aqueles com quem tivemos laços profundos em vidas passadas. Esses encontros podem ser com afetos ou desafetos, isto é, pessoas com as quais convivemos amigavelmente ou aquelas com quem temos dívidas morais a resolver.
Esses reencontros, certamente, são oportunidades valiosas para reparação, aprendizado e fortalecimento de vínculos positivos. Afinal, os desencontros também fazem parte de nosso processo evolutivo.
Situações de antipatia ou conflito são oportunidades de crescimento, onde somos chamados a praticar o perdão, a compreensão e a caridade.
O papel do livre-arbítrio no desenvolvimento pessoal.
Temos a liberdade de escolher as nossas ações e, consequentemente, somos responsáveis por elas. Ninguém nasce destinado a ser mau. As tendências negativas podem existir, é verdade, como resquício de outras existências. Mas é através do uso consciente do livre-arbítrio que decidimos o nosso caminho.
Uma história que ilustra bem essa questão é sobre o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que sobreviveu a vários campos de concentração nazistas e utilizou sua experiência para ajudar outras pessoas. Frankl tomou decisões que refletiram seu desejo de ser útil e positivo, mesmo em situações extremas.
A importância da caridade e do amor para reajustar pendências que trazemos de vidas passadas.
O amor, a generosidade e a compaixão são os caminhos para a verdadeira evolução espiritual. Embora possamos enfrentar grandes desafios e sofrimentos, a prática da caridade e do amor ao próximo é a solução para transcender nossas dificuldades e alcançar um estado de paz e harmonia interior.
A aparência física e os bens materiais são transitórios. O verdadeiro valor está em nossas ações e em como utilizamos o nosso tempo e recursos para o bem-estar dos outros. A generosidade e a mansuetude são virtudes que devem ser cultivadas constantemente.
Nossas atitudes transformam a nossa vida e o mundo.
Portanto, o entendimento que trazemos pendências a resolver de vidas passadas, certamente nos proporciona uma visão mais ampla de nossa existência e de nossos desafios atuais.
Através da Doutrina Espírita, aprendemos que cada encarnação é, de fato, uma oportunidade única de aprendizado e evolução, que vale a pena ser aproveitada da melhor forma possível.
E que ao utilizarmos o livre-arbítrio de forma consciente e optarmos pelo bem, podemos transformar positivamente não só a nossa vida, mas também contribuir para a construção de um mundo melhor.
Redação Espiritismo em Foco
Você conhecia o conceito de vidas passadas?
Comente, curta e compartilhe!
Receba as nossas publicações por e-mail
ESPIRITISMO EM FOCO
Siga, curta, compartilhe

