Como é o perispírito?
O perispírito é um envoltório semimaterial, ou seja, ele é de natureza intermediária entre o Espírito e o corpo físico e faz a conexão entre ambos.
Em outras palavras, nós somos constituídos pelo nosso corpo físico – com o qual vivemos e nos movimentamos nesta existência. Pelo nosso Espírito ou alma – que é o ser eterno. E também pelo perispírito, que permite as interações entre os outros dois.
O corpo físico, como sabemos, está sujeito ao processo de extinção pela morte. Mas o Espírito – que é imortal – conserva o perispírito.
Neste caso, o perispírito tem uma função semelhante ao do corpo físico para os encarnados. Isto é, ele é o corpo etéreo com o qual o Espírito se movimenta e vive no plano espiritual.
135 – Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
“Há o laço que liga a alma ao corpo.”
a) De que natureza é esse laço?
“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois possam comunicar-se um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.”
Quais são as características do perispírito?
Uma das características do perispírito é que ele não é visível para nós. Entretanto, pode ser visto ocasionalmente, como quando ocorrem os fenômenos de materialização ou para médiuns que possuem a visão espiritual, ou vidência.
Outra característica do perispírito é que sendo um elo fluídico, permite que a alma se estenda além do corpo físico. Este fato é conhecido como desdobramento, ocasião em que o Espírito encarnado se desliga parcialmente do seu corpo físico.
Portanto, a alma não está presa dentro do corpo. Ela é exterior ao corpo, mas vinculada a este pelo laço do perispírito e só se liberta completamente após o advento da morte.
Dessa forma, podemos concluir que a alma tem dois envoltórios: um deles é sutil, leve, etéreo, correspondendo ao perispírito, e o outro mais denso, pesado e grosseiro, que é o corpo material.
“O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo,
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Introdução – Item VI
invisível para nós no estado normal, porém, que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.”
Qual é a constituição do ser humano?
Um dos pontos principais da Doutrina Espírita é a constatação que a vida corpórea ou material constitui-se por todos os que habitam o mundo visível ou corpóreo, enquanto a vida espiritual se refere à nossa existência no reino invisível ou espiritual.
Os Espíritos habitam o reino invisível ou espiritual que representa o mundo normal, eterno, enquanto o mundo físico é secundário e pode deixar de existir sem afetar a essência do reino espiritual.
E ao reencarnar, para poder habitar e se adaptar ao mundo físico e material, os Espíritos precisam de um meio adequado ao ambiente onde irão viver, necessário enquanto durar a sua existência, isto é, o corpo físico e o perispírito, que permite a interação entre eles.
Nesse sentido, encontramos a definição sobre a constituição do ser humano em “O Livro dos Espíritos”, na questão 135, do Capítulo I, que define a sua composição em três elementos:
1 – o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2 – a alma, o Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;
3 – o laço ou perispírito, substância semimaterial, um princípio intermediário entre a matéria e o Espírito que serve de primeiro envoltório ao Espírito e o liga ao corpo.
Desta forma, temos duas naturezas distintas:
1 – pelo corpo, participamos da natureza dos animais, tendo em comum os instintos;
2 – pela alma, participamos da natureza dos Espíritos.
Como a alma se separa do corpo?
Quando uma pessoa morre, a alma, ou Espírito encarnado, se desprende do corpo físico para retornar ao plano espiritual.
Essa separação não ocorre de forma imediata, mas gradualmente, como um desenlace que vai se desenrolando aos poucos. Assim, o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam ao corpo físico e estes se desatam, não se quebram.
No entanto, vale ressaltar que o tempo necessário para que esse desligamento seja completo é variável, não existindo um tempo delimitado para que ocorra o desligamento entre o corpo e o Espírito.
Em alguns casos, o processo pode ser bastante rápido e, dependendo da evolução moral, pode ocorrer apenas algumas horas após a morte.
Já em outras ocasiões, principalmente quando a existência foi centrada exclusivamente na satisfação de desejos materiais e sensuais, o desprendimento pode levar mais tempo, se estendendo por dias, semanas ou até mesmo meses, em função do apego que prende o Espírito às ilusões da matéria.
É importante deixar claro que, mesmo durante esse período de desligamento, não há vitalidade no corpo e não há possibilidade de retorno à vida. O que ocorre é somente o desapego gradual do Espírito em relação às lembranças e sensações referentes ao plano material.
Por outro lado, é interessante observar que o desenvolvimento de aspectos intelectuais e morais, assim como a elevação dos pensamentos, podem contribuir para um desprendimento mais acelerado já durante a vida. Assim, quando ocorre o momento da morte, o desprendimento é quase instantâneo.
Como o Espírito desencarnado utiliza o perispírito?
Como vimos anteriormente, a morte causa a destruição natural do corpo, mas não do perispírito, que permanece intacto.
É dessa forma que os Espíritos, mesmo sem possuírem uma forma física, material, mantêm a sua individualidade. O perispírito funciona para o Espírito de maneira semelhante ao corpo para um ser encarnado, sendo um atributo que os diferencia.
Assim como na vida corporal cada pessoa é diferente da outra e tem características próprias, os Espíritos têm a sua individualidade – assegurada pelo perispírito – e geralmente mantêm as mesmas feições que tinham na vida terrena. Inclusive, dependendo do nível de seu grau de evolução, pode usufruir da capacidade de modificar a sua forma e aparência.
Noemi C. Carvalho
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