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Resgates coletivos encontram explicação no Espiritismo

O Espiritismo esclarece porque ocorrem os resgates coletivos.

Os resgates coletivos encontram explicação para as suas causas no Espiritismo.

Essas situações são decorrentes de eventos trágicos de grandes proporções como desastres aéreos, incêndios, epidemias, desastres naturais como terremotos, inundações, entre outros. E causam forte comoção e sentimento de compaixão pela extensão de dor e sofrimento que ocasionam.

Para compreender o porquê desses eventos, leia em seguida:
– Sempre existe um motivo para as aflições da vida
– As provações podem ser escolhidas pelo próprio Espírito reencarnante
– Emmanuel responde a um questionamento sobre os regates coletivos segundo o Espiritismo
– Débitos tenebrosos resultam em trágicos resgates
– O Espiritismo explica a relação dos resgates coletivos com a transição planetária
– Deus nos acompanha sempre, mas dá a liberdade de escolher

Sempre existe um motivo para as aflições da vida.

De acordo com a Doutrina Espírita, o livre-arbítrio nos subordina aos eventos que vivenciamos, uma vez que nos permite a liberdade de fazer escolhas.

Mas, naturalmente, elas resultam em consequências que podem ser positivas ou negativas e que posteriormente revertem para nós de forma equivalente. Esse mecanismo é conhecido como lei de causa e efeito.

Em outras palavras, atendendo a leis naturais que visam a manutenção do equilíbrio, se alguém sofre, é por consequência do sofrimento que causou a alguém em uma existência anterior.

4 – “De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.”
7 – “Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se originam de culpas atuais, são muitas vezes a consequência da falta cometida, isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros.”

O Evangelho Segundo o Espiritismo, por Allan Kardec – Capítulo V – Bem-aventurados os aflitos

Desta forma, observamos que as aflições da vida, assim como as grandes tragédias que chocam e comovem, são instrumento de resgate e de aprendizado.

As provações podem ser escolhidas pelo próprio Espírito reencarnante.

É preciso, contudo, compreender que nem sempre as provações se referem a punição. Elas muitas vezes são um reajuste necessário e um aprendizado sobre as consequências de nossas atitudes, com vistas à nossa evolução.

Além disso, ocorre com frequência que sejam solicitadas pelo próprio Espírito reencarnante. Este, ao ter a consciência das falhas que cometeu com suas atitudes, pede para retornar e ter a oportunidade de reparação.

Isto pode se dar seja passando por situações semelhantes às que provocou, ou revertendo o mal praticado com ações voltadas ao bem, para uma pessoa ou para uma comunidade.

Tudo nesta vida, portanto, é oportunidade de aprendizado, mas sempre vinculado às escolhas que fazemos.

No caso das tragédias coletivas, por exemplo, muitas pessoas são tocadas por sentimentos de compaixão e solidariedade, propondo-se ao auxílio direto ou na forma de orações. Nesses casos, esses eventos fazem aflorar sentimentos nobres, denotando o desenvolvimento moral.

No entanto, existem aqueles que exploram tais momentos em busca de ganhos pessoais ou até mesmo se comprazem pela tragédia alheia. Certamente estes enfrentarão as consequências de suas ações como parte da lei de causa e efeito, seja nesta ou em uma existência futura.

9 – “Não há crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo denote a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação.”

O Evangelho Segundo o Espiritismo, por Allan Kardec – Capítulo V – Bem-aventurados os aflitos

Emmanuel responde a um questionamento sobre os regates coletivos segundo o Espiritismo.

Com relação à ocorrência dos resgates coletivos, um dos grandes vultos do Espiritismo – Emmanuel -, em reunião pública ocorrida na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas Gerais, responde à pergunta:

“Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?”

A resposta dada por Emmanuel e psicografada por Chico Xavier, encontra-se no livro “Chico Xavier Pede Licença”. O mentor espiritual expressa-se nos seguintes termos:

“Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio.
Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.
É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.”

Ou seja, Emmanuel deixa claro que é a nossa própria consciência que nos julga.

E então, quando na vida após a morte, ao tomar consciência de nossas responsabilidades perante erros cometidos, solicitamos oportunidades para resgatar essas nossas dívidas.

Em alguns casos, como na ocorrência de desastres coletivos, renascemos na mesma época daqueles que têm compromissos semelhantes de reparação.

Débitos tenebrosos resultam em trágicos resgates.

O benfeitor espiritual segue em sua resposta enumerando algumas das ações que desencadeiam os dolorosos resgates, o que nos ajuda a compreender o mecanismo que move as desencarnações coletivas.

Segundo Emmanuel, vítimas de eventos coletivos, podem ter sido, por exemplo, guerreiros que destruíram aldeias e cidades, impulsionados pela ganância, matando milhares de pessoas, inclusive mulheres e crianças. Ou então pessoas que, movidas pela ambição, não pouparam sofrimento a outros seres nas guerras geradoras de crueldades, em busca de poder e riquezas.

Entretanto, ao testemunhar, na vida após a morte, as consequências das ações, sofrem quando confrontados pelo peso da dor imposta cruelmente e pelos sofrimentos que causaram e buscam, então, uma forma de se reajustar.

No retorno à Terra, esses agrupamentos destinados a se encontrarem novamente protagonizam os eventos de resgates coletivos, que encontram explicação no Espiritismo, com a reencarnação.

E assim, uma atração direcionada pelo plano espiritual permite que pessoas que tenham agido conjuntamente passem, também em conjunto, por sofrimento semelhante, como forma de se redimir de suas ações inadequadas às divinas leis morais.

O Espiritismo explica a relação dos resgates coletivos com a transição planetária.

Lembremos, também, que a Terra se aproxima de um importante momento – a transição planetária – quando o estado de desenvolvimento da sociedade deve ser condizente com o estágio evolutivo do planeta.

Portanto, os processos de depuração se tornam mais frequentes, para que as futuras reencarnações estejam cada vez menos sujeitas a eventos drásticos, e aqueles que não se aprimorarem sigam para existências em mundos inferiores.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, por Allan Kardec, no Capítulo 27, Item 12, lemos o seguinte:

“Se em duas partes se dividirem os males da vida, uma constituída dos que o homem não pode evitar e a outra das tribulações de que ele se constituiu a causa primária, pela sua incúria ou por seus excessos (cap. V, item 4), ver-se-á que a segunda, em quantidade, excede de muito à primeira.
Faz-se, portanto, evidente que o homem é o autor da maior parte das suas aflições, às quais se pouparia, se sempre obrasse com sabedoria e prudência.”

Deus nos acompanha sempre, mas dá a liberdade de escolher.

Como vemos, portanto, o sofrimento está estreitamente vinculado às escolhas de como vivemos, diminuindo a cada reencarnação pelos méritos que adquirimos.

A vida, portanto, é sempre uma oportunidade de agir melhor em cada situação com a qual nos deparamos, transformando os nossos impulsos iniciais, seja de medo, revolta, egoísmo ou arrogância, de modo a vivermos com atitudes pautadas pelos princípios divinos e morais voltadas ao bem comum.

“Criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as consequências.”, continua Emmanuel.

“Lamentemos, sem desespero, quantos se fizerem vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos.”

“Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor”, finaliza Emmanuel,

A vida, sendo eterna, não nos cobra pelo tempo que nos demoramos para firmar nossos passos nos caminhos do progresso espiritual, pois esta é uma decisão que cabe exclusivamente a nós próprios.

E Deus acompanha nosso trajeto, dando-nos toda a liberdade de fazermos as nossas próprias escolhas.

Noemi C. Carvalho

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