
Saulo – o implacável doutor da Lei e Paulo – o Apóstolo do Cristo.
Paulo, em sua carta aos Coríntios, diz decisivamente: “Todos seremos transformados”. Ele se lembrava de si mesmo.
Saulo, o doutor da Lei, encontra Jesus na estrada de Damasco, sua intensa luz o cega e assim ele segue até a cidade. Esperado em glórias, ele entra anônimo, sozinho, imundo, tateando as paredes para se orientar. Alguém, sentindo pena, o leva a uma estalagem.
Após dias de cegueira completa, ora a Deus. A última lembrança era de Cristo na estrada, perguntando, “Saulo, por que me persegues?”. Saulo era implacável com os cristãos, ordenando torturas e mortes. Mas, absorvido pela realidade da visão, ele reflete sobre seu futuro.
Ananias, o cristão que Saulo fora prender, aparece por ordem de Jesus para devolver-lhe a visão. Aí começou a sua verdadeira transformação. Não mais Saulo, mas Paulo.
Durante três anos, teceu tapetes no deserto para sobreviver. Quando se aproximou dos discípulos, ninguém confiava nele. Todos pensavam que ele causaria problemas, e teve que provar que seu coração estava com Cristo.
Somos transformados pelo conhecimento e pelo amor.
Não somos Paulo de Tarso, mas cada um de nós tem tarefas no mundo espiritual.
Pedimos por transformações em nossa vida. Mas a maior transformação, com o advento da Doutrina Espírita, foi o conhecimento da reencarnação, da vida além da morte, da mediunidade — processos que nos tornam melhores e nos fazem ver os outros de maneira diferente.
As maiores transformações começam agora. Na década de 1930, os Espíritos que se comunicavam em centros espíritas no Rio de Janeiro, alertavam sobre eventos futuros trazendo graves dificuldades. Muitos reencarnariam em condições mínimas, porque era necessário. E vemos hoje líderes de nações desequilibrados, buscando guerra, violência e ódio para manter seus interesses.
A necessidade de vigilância é cada vez maior.
No início dos anos 60, um crime ficava nos jornais por um ano, pois eram raros. Hoje, a violência nos tornou indiferentes, o que é trágico. Se não nos emocionamos com o mal alheio, quem se compadecerá de nós quando tivermos necessidade? Quem orará por nós?
Por isso, o “orar e vigiar” de Jesus nunca foi tão atual. Vemos jovens caindo em ciladas de falsas amizades. Quando os pais descobrem, já é tarde. Vícios, afastamento da família, depressões graves são comuns. Suicídios, outrora raros, agora são frequentes. Jovens tiram a própria vida por um término de namoro.
Seremos todos transformados quando o bem for o vencedor.
Emanuel, através de Chico Xavier, comentando a nossa época, disse que o bem é o vencedor final, mas o mal não se entregará sem luta.
Quando vemos programas de notícias, percebemos que até os jornalistas, que vivem um pouco disso, parecem usar de certo exagero para transformar em drama o que poderia ser apenas uma nota desagradável, rapidamente resolvida.
Mas, na verdade, dificilmente resolvemos o nosso próprio destino. Cada reencarnação é uma promessa de transformação que frequentemente não cumprimos, deixando a nossa situação estacionária. Podemos ficar à beira do caminho por séculos, olhando para o passado, porque cada encarnação é um desafio.
Desta vida, só levamos o que temos no coração.
Existe um livro psicografado por Divaldo, intitulado “Perturbações Espirituais”. Faz parte de uma coleção de quatro volumes sobre a transformação planetária, mas este, em particular, é muito interessante.
O Espírito Manuel Philomeno de Miranda narra, através da mediunidade de Divaldo, a luta do mundo espiritual para tentar melhorar as condições, já que nós, que estamos na Terra, mostramos certa relutância em melhorar nossas próprias vidas e tomar as atitudes necessárias.
Quando se fala em atitudes necessárias, isto se refere ao perdão, ao verdadeiro esquecimento das faltas cometidas, a fazer todo o bem possível, pois apenas isso nos acompanhará além da vida. Nada do que temos, nenhum título. Mas apenas o que fizemos pelo coração do outro, encontraremos do outro lado.
A jornada espiritual começa hoje.
Então, vamos começar a pensar. Desejamos todos nós uma longa vida na Terra, mas devemos permanecer sempre organizados emocionalmente, para que, ao chamado da morte física, estejamos preparados para contar nossa história da melhor maneira possível, chegando lá transformados, minimamente que seja.
Aqueles que buscam a sua transformação pelo bem poderão reencarnar na Terra também transformada. Aos outros, aqueles que não estão dispostos a qualquer transformação de suas imperfeições, o exílio num outro planeta é o destino. Essas almas que ainda não se dispuseram a resgatar débitos e construir um futuro diferenciado estão sendo levadas, segundo os Espíritos, para planetas primitivos.
Portanto, cada um é responsável pela sua própria evolução e pelo destino que o aguarda. Mas uma coisa é certa: um dia, seremos todos transformados, vivendo em paz e harmonia, irmanados na grande família universal.
Redação Espiritismo em Foco
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