Cairbar de Souza Schutel, o bandeirante do Espiritismo.
Cairbar de Souza Schutel foi um dos grandes nomes do Espiritismo e um dos pioneiros na tarefa de divulgação da Doutrina Espírita. E, pela sua coragem e persistência nessa tarefa, ele ficou conhecido como o “bandeirante do Espiritismo”.
Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 22 de setembro de 1868, e antes mesmo de completar nove anos ficou órfão de pai. Esse fato ocorreu no mês de abril e, logo em seguida, em setembro, nasceu seu irmão, Antero – que viveria apenas por quatro anos.
Poucos dias depois do nascimento de Antero, a mãe também faleceu, em decorrência de febre puerperal. Desse modo, o avô paterno, Dr. Henrique Schutel, acolheu Cairbar e seus outros irmãos, que passaram a viver com o avô.
O Dr. Henrique Schutel matricula Cairbar no Colégio Pedro II, mas ele abandonou o curso em 1880, quando foi trabalhar em uma farmácia como aprendiz, especializando-se como farmacêutico prático. Ali ele adquiriu conhecimentos na manipulação de xaropes, poções, essências e na nomenclatura dos medicamentos.
O ingresso de Cairbar Schutel na vida pública.
Aos 17 anos, Cairbar Schutel se transfere para o Estado de São Paulo, passando por várias cidades. No ano de 1895, em Araraquara, atuou intensamente no combate a um surto de febre amarela, como prático de farmácia.
Foi no ano de 1896 que chegou à pequena povoação da Vila Senhor Bom Jesus das Palmeiras, atual município de Matão. No pequeno povoado, ele abriu sua própria farmácia, no local onde hoje se encontram a Rua Rui Barbosa e a Avenida 28 de Agosto.
E ali mesmo ingressou na vida política. Devido ao seu empenho para que Matão subisse de povoado para a categoria de município, tornou-se o seu primeiro intendente, cargo que atualmente equivale ao de prefeito, e comprou com os seus próprios recursos o prédio para a instalação da prefeitura.
Em São Paulo, recebeu o título de “pai dos pobres de Matão”.
Em sua vida pública, Cairbar priorizou sua atenção aos problemas sociais e no auxílio aos mais necessitados. Respeitado por todos na cidade, foi consagrado com o título de “pai dos pobres de Matão”, como resultado do acolhimento que dedicava aos mais carentes.
Fornecia medicamentos gratuitamente e, além disso, recebia os necessitados em sua própria casa, até que, em 1912, fundou um pequeno hospital de caridade.
A partir de 1914, começou a visitar os presos na Cadeia Pública de Matão, onde era chamado sempre que algum detento sofria um surto psicótico. Em 1917 estendeu as suas visitas também aos detentos da Cadeia de Araraquara, local onde também proferia palestras.
O primeiro contato com o Espiritismo.
Cairbar Schutel, um devoto católico romano por tradição, iniciou a sua busca por respostas em relação aos sonhos persistentes que envolviam seus entes queridos falecidos. No entanto, as explicações do padre local não eram suficientemente satisfatórias para ele.
Em 1904, decidiu participar de sessões de tiptologia, onde ocorriam as comunicações por meio de batidas ou pancadas curtas nas mesas. Essas sessões eram semelhantes àquelas realizadas na França e em outras partes do mundo que despertaram o interesse de Allan Kardec e levaram à codificação da Doutrina Espírita.
As sessões eram realizadas na casa de Manuel Pereira do Prado, um amigo de Cairbar, também conhecido como Manuel Calixto. Contudo, o pai de Manuel relatou a Cairbar que há dois anos não realizava mais essas reuniões porque apenas espíritos atrasados se comunicavam, sempre pedindo missas que exigiam um alto dispêndio financeiro.
Curioso com o relato do velho Calixto, pediu-lhe que realizasse uma sessão mediúnica, quando Manuel Calixto recebeu, então, uma mensagem de cunho espiritual elevado, o que impactou Cairbar profundamente.
O desenvolvimento mediúnico voltado à psicografia.
Com o tempo, Cairbar Schutel também desenvolveu suas próprias habilidades mediúnicas, destacando-se principalmente na psicografia, através da qual seu pai falecido se comunicou, provando assim a existência da vida após a morte.
Impressionado com suas experiências nas sessões espíritas, decidiu aprofundar-se no conhecimento da doutrina, estudando as Obras Básicas de Allan Kardec, bem como outras publicações espíritas.
Abraçou, então, o Espiritismo e se tornou um dos seus mais notáveis defensores e divulgadores, enfrentando corajosamente a oposição daqueles que não desejavam que as ideias espíritas se propagassem.
O grande impulso que Cairbar Schutel deu à divulgação da Doutrina Espírita.
Cairbar Schutel foi um incansável defensor da Doutrina Espírita e dedicou-se à divulgação dos seus ensinamentos. Sua luta incessante foi marcada pelo empenho, pela motivação e pelo compromisso. E devido à sua notável contribuição para a causa espírita, ele ficou conhecido como o “Bandeirante do Espiritismo”.
Em 1905, fundou o jornal espírita “O Clarim”, ainda em atividade atualmente. No mesmo ano também fundou o “Grupo Espírita Amantes da Pobreza”, o primeiro centro espírita naquela região paulista, onde se realizavam estudos e a prática da caridade, constituindo uma comunidade espiritual unida em prol do bem comum.
Em 1925, Schutel deu mais um importante passo na disseminação do Espiritismo ao fundar a Revista Internacional de Espiritismo (RIE). Essa publicação mensal tinha como objetivo aprofundar o estudo e a compreensão dos fenômenos anímicos e espíritas, contando com a colaboração de renomadas personalidades do mundo todo. A RIE se tornou uma fonte de conhecimento e reflexão para os interessados no Espiritismo, alcançando leitores em diversos países.
Além disso, Cairbar Schutel também se destacou pelas suas “Conferências Radiofônicas” proferidas aos domingos, entre 1936 e 1937, pela Rádio PRD-4, de Araraquara. Essas conferências foram posteriormente publicadas em livro, lançado no mês de setembro de 1937, proporcionando um meio de consulta permanente para os interessados no estudo dos temas do Espiritismo.
“Polemista emérito, jamais se curvou as injunções e às perseguições que naqueles tempos se moviam ao Espiritismo. Os próprios adversários do Espiritismo não tinham coragem de atacá-lo, tão grande era a sua projeção moral. E a grandeza da sua dedicação fazia que o estimassem, cheios de respeito.”
Zêus Wantuil, em “Grandes Espíritas do Brasil”, a respeito de Cairbar Schutel
Cairbar Schutel respeitava todas as criaturas de Deus.
Cairbar Schutel era um defensor ardoroso dos animais, pois os reconhecia como nossos companheiros na jornada terrena. De acordo com ele, os animais também estão em constante evolução e, portanto, merecem o amor e respeito que podemos oferecer, bem como a dedicação em auxiliá-los no seu desenvolvimento.
Consta que ele primeiro alimentava e cuidava dos seus irmãos menores e só então atendia às suas próprias necessidades.
Um exemplo notável de sua compaixão pelos animais ocorreu quando ele decidiu “aposentar” seu fiel cavalo, Cabrito, devido à sua dedicação incansável e avançada idade.
Além disso, Schutel tinha um gato de estimação, chamado Nhonhô, que recebeu uma homenagem especial na Revista Internacional de Espiritismo, em 1932.
Em seus periódicos, compartilhava sua visão sobre como devemos nos relacionar com nossos amigos animais. Ele enfatizava a importância de agirmos de maneira respeitosa, levando em consideração as emoções e a sensibilidade desses seres espirituais durante a nossa interação com eles, uma vez que são nossos companheiros de jornada.
Cairbar Schutel regressa à pátria espiritual.
Cairbar Schutel foi um notável espírita brasileiro e impactou de modo duradouro a divulgação e o fortalecimento do Espiritismo, ao qual ele se dedicou fervorosamente.
Deixou um legado de aprendizado, inspiração e comprometimento, com mais de uma dezena de obras publicadas.
A sua contribuição para a divulgação e fortalecimento do Espiritismo continua a instruir e inspirar milhares de pessoas até os dias de hoje.
O seu retorno à Pátria Espiritual ocorreu na tarde de 30 de janeiro de 1938, aos 69 anos de idade, devido a um aneurisma cerebral.
“Vivi, vivo e viverei porque sou imortal.”
Cairbar Schutel
Entretanto, essa partida não significou o fim de sua influência e labor, pois na mesma noite ele se manifestou através do médium Urbano de Assis Xavier, transmitindo para os companheiros de jornada o testemunho da sobrevivência do Espírito.
Ele exortou aos companheiros de Redação d’O Clarim para que mantivessem o ânimo em suas tarefas, respaldados pela certeza de que ele estaria sempre presente, auxiliando-os e trabalhando em prol do nobre ideal.
Cairbar Schutel deixou uma frase que foi gravada na lápide de seu túmulo, que ressoa com a certeza de sua imortalidade: “Vivi, vivo e viverei porque sou imortal”.
A vida de Cairbar Schutel devem nos inspirar a buscar o conhecimento e a compreensão do mundo além do que é palpável, nos motivar a seguir os seus passos na divulgação do Espiritismo e na prática dos ensinamentos da moral do Cristo.
Noemi C. Carvalho
Fontes:
Casa Editora O Clarim
União Espírita Mineira (UEM)
Wikipedia
Animais e o Espiritismo
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