A pregação do Apóstolo João aos peixes na ilha de Patmos.
O dia em que o Apóstolo João falou aos peixes foi um momento marcante na vida daqueles que presenciaram o episódio.
João Evangelista era conhecido por levar os ensinamentos de Jesus a todos que quisessem ouvi-lo. Mas devido às perseguições aos seguidores do Cristo ordenadas pelo Imperador Romano, ele foi preso e levado para a pequena ilha de Patmos.
Nessa ilha, onde ficou exilado por muitos anos, havia apenas alguns guardas romanos, e por isso ele aproveitava para lhes falar de Jesus.
Nessas circunstâncias, João ficava muito tempo só. E isso, então, o levou a estreitar a sua ligação com a natureza e suas criaturas, com quem conversava recordando as lições do Mestre.
Com o passar do tempo, João percebeu que os animais se aproximavam quando ele lhes falava dos ensinamentos de Jesus, ficando sempre próximos a ele.
Em certa ocasião, passeando nas proximidades do mar, parou e começou a pregar o Evangelho. Logo João viu que os peixes acorriam em grande número, para que pudessem ficar mais perto dele.
Eles pareciam estar atentos às mensagens de amor, compaixão e redenção que João expressava.
E foi assim que as águas marinhas se tornaram o palco para essa pregação improvável. O Apóstolo João utilizou a voz do seu coração e falou àqueles peixes, as criaturas de Deus que viviam nas profundezas do oceano.
Foram estas as palavras de João Evangelista, quando ele falou aos peixes.
Certa vez, os soldados da ilha de Patmos saíram à procura de João Evangelista, porque fora expedida uma ordem imperial determinando a morte do Apóstolo.
Miramez¹, no livro “Francisco de Assis”, psicografado por João Nunes Maia² narra o episódio do seguinte modo:
“João Evangelista se encontrava assentado numa pedra, pregando a Boa Nova do Reino para um enorme cardume, cujos peixes se comprimiam como se fossem pessoas em comício.
O Apóstolo, sorrindo, relanceava os olhos brilhantes por toda extensão que vislumbrava, falando com entusiasmo, nestes termos:
– Meus filhos, conheço a vida aqui na Terra com os seus perigos eminentes. Carecemos de vigilância e suponho que, no seio das águas, ela se apresente com maiores dificuldades.
Todavia, é bom que conheçamos, acima de tudo, o poder de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo, que fizeram esta casa maravilhosa em que todos vivemos por amor d’Eles.
Homens e peixes, aves e animais, tudo o que vive, está no livro da vida sob a vista do Criador. Sintamos, portanto, alegria onde estamos vivendo e obedeçamos às leis que o ambiente nos apresenta.
E, se aí, no mundo marinho, alguns são chamados para o sacrifício, no meio dos homens acontece a mesma coisa. A liberdade é relativa e o destino, em muitos casos, nos procura sem errar nosso endereço, para que possamos dar testemunho, sendo exigida a vida física.”
A promessa de Cristo de um novo Céu e de uma nova Terra.
A assembleia dos peixes continuava atenta e o Apóstolo João novamente lhes falou: “O Cristo nos prometeu um novo Céu e uma nova Terra, nos quais haverá justiça e abundância de tudo, onde a segurança será uma lei visível para todos os viventes, e a paz, um clima para todos os Seus filhos do coração.
Este que vos fala, está marcado para o sacrifício e não merece prêmio melhor, pois já confia na Providência Divina. E sabe, por experiência, que ninguém morre, como nada se acaba na criação de Deus.
O modo pelo qual nos transformaremos deve ser dos melhores, porque Deus, que tudo sabe, o escolheu, como Pai amoroso e bom, justo e misericordioso.
Vós, os habitantes das águas, sois peças importantes na engrenagem da vida que se estende em todo o mundo. Pois sem esse líquido de Deus, que mantendes em perfeita conservação, onde estariam o equilíbrio e as bênçãos da saúde?
Para mim, todos vós sois meus filhos, e para Deus sois muito mais que isso: sois partes d’Ele, onde Ele habita em Seu grande esplendor.
Confiai, esperai e trabalhai, que dia chegará em que todos nós, sem exceção, nos encontraremos no Reino da Luz, para gozarmos a felicidade daqueles que fazem parte, por direito divino, do grande rebanho do Mestre de todos nós – o Cristo!”
Em comitiva, a assembleia marítima acompanhou João Evangelista.
Em seu exílio na ilha de Patmos, o amor de João se expandia por toda a divina criação, pois ele dirigia suas redentoras palavras e envolvia com suas vibrações amorosas todos os animais, assim como a vegetação e até as pedras.
No dia em que saiu da ilha, rumando de barco até Éfeso, os peixes acompanharam de perto a sua embarcação. Era, certamente, uma homenagem ao bom amigo que os tratava com tanto respeito e amor.
Miramez, em seguida, assim descreve essa procissão marítima, dizendo que “riscos enormes se faziam nas águas de um lado e de outro, e foram aumentando, como por encanto.
Levavam os peixes o manancial de Amor às margens do grande mar para as últimas despedidas. Alguns deles faziam evoluções sobre as águas, mostrando-se como flechas deslizando no mundo líquido, dando o que tinham em favor daquele que lhes dera muito mais.”
As palavras dirigidas aos peixes trazem grandes reflexões para nossa vida.
O Apóstolo João, um fiel seguidor de Jesus, nestas palavras dirigidas a nossos irmãos menores das águas, sem dúvida oferece também a nós profundos ensinamentos para entendermos a vida.
Ele nos encoraja a encontrar alegria seja quais forem as circunstâncias em que estejamos vivendo, pois cada situação que vivenciamos possui significado maior e nos traz algum benefício em nosso desenvolvimento espiritual.
João, ainda mais, também nos lembra da promessa de um novo Céu e uma nova Terra feita por Cristo, onde todos nós, um dia, nos encontraremos no Reino da Luz, experienciando a felicidade que vem da união com Cristo.
Essas palavras estão em consonância com o conceito de transição planetária, um processo que envolve a elevação da categoria da Terra no plano universal, por meio do avanço moral e espiritual da humanidade como um todo.
Além disso, nosso caminho evolutivo individual, embora não esteja vinculado ao tempo, tem como objetivo alcançar o estado de nos tornarmos Espíritos puros, seres que transcenderam todos os vícios e falhas da humanidade, livres, portanto, de tristeza e sofrimento.
A distância que nos separa de Deus.
João Evangelista explica, também, que ninguém realmente morre, pois nada de fato termina na criação de Deus.
Assim, ele reafirma que a nossa vida continua em um nível espiritual e temos sempre novas oportunidades de desenvolvimento por meio da reencarnação.
Além disso, nessa singela pregação, quando o Apóstolo João falou amorosamente aos peixes, ele nos lembra que somos todos filhos de Deus.
E, mais do que isso, nós somos parte Dele, onde Ele reside em Sua grandeza. Portanto, como bem nos faz ver o Apóstolo de Jesus, não existe distância que nos separe de Deus, exceto em nosso próprio coração.
Noemi C. Carvalho
Referências
Texto inspirado no livro de Miramez, “Francisco de Assis”, psicografado por João Nunes Maia, com citações da mesma obra
1 e 2 – Fernando Miramez de Olivídeo nasceu na Espanha e em 1649 chegou ao Brasil, onde se dedicou a aliviar os sofrimentos físicos e espirituais dos indígenas e dos escravos com quem convivia. Tornou-se guia espiritual de João Nunes Maia (1923 – 1991).
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