Como a Doutrina Espírita explica a erraticidade e os Espíritos errantes.
A Doutrina Espírita traz consigo um vasto conjunto de ensinamentos que nos oferecem esclarecimentos sobre diferentes aspectos da vida espiritual, e um dos conceitos fundamentais é o da erraticidade.
A erraticidade pode ser descrita como o estado em que se encontram os Espíritos quando retornam ao plano espiritual, isto é, depois da morte.
Esses Espíritos, conhecidos também como “Espíritos errantes”, transitam em um espaço de tempo não físico, aguardando a oportunidade da sua próxima reencarnação. Portanto, a erraticidade é o estado do Espírito errante no intervalo entre duas existências corpóreas.
Em “O Livro dos Espíritos”, a primeira obra da codificação espírita realizada por Allan Kardec, na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita – Item VI, Kardec resume os pontos principais da Codificação, onde encontramos que “os (Espíritos) não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.”
Em seguida, no Capítulo VI – Da Vida Espírita – Espíritos Errantes, várias questões esclarecem este tema.
Como na Questão 223: “A alma reencarna logo depois de se haver separado do corpo?”
Resposta: “Algumas vezes reencarna imediatamente, porém, de ordinário, só o faz depois de intervalos mais ou menos longos.(…)”
Assim, compreendemos também que nós somos Espíritos encarnados e que, um dia, com a morte – ou término da vida física -, continuaremos a nossa existência no plano espiritual como Espíritos errantes, pois a vida continua e não se extingue jamais.
As diferentes condições do Espírito na erraticidade.
A morte não nivela todos os Espíritos em relação ao seu entendimento ou à sua atuação na vida espiritual.
A compreensão do seu estado depende do conhecimento e dos esclarecimentos que ele adquiriu durante a vida referentes a essa transição.
Por isso, entre os Espíritos desencarnados encontram-se, por exemplo, aqueles inconscientes, que acreditam ainda estar vivendo em seu corpo material. Outros continuam apegados ao que ficou para trás, seja riquezas, poder ou até mesmo afetos, e não aceitam o fato de terem morrido.
Com relação às questões morais, a personalidade não sofre alteração. Portanto, existem os Espíritos que ainda estagiam na prática do mal ou da simples indiferença, como era seu modo de vida na Terra. Mas muitos se dedicam às tarefas de auxílio tanto aos encarnados como aos desencarnados.
E todos eles são considerados Espíritos errantes, vivendo no estado de erraticidade, ou seja, não estão vinculados ao plano físico como é a nossa vida na crosta da Terra.
Na erraticidade, Espírito errante não significa Espírito inferior, explica a Doutrina Espírita.
É preciso, portanto, deixar claro que erraticidade não é um sinal de inferioridade, mas um estágio fundamental no ciclo da vida espiritual, enquanto o Espírito se prepara para uma nova reencarnação.
Mesmo os Espíritos elevados voltam ao corpo físico, geralmente em missões, pois só os Espíritos puros não precisam mais passar por novas experiências de encarnação.
Questão 225: “A erraticidade é, por si só, um sinal de inferioridade dos Espíritos?”
Resposta: “Não, porquanto há Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação é um estado transitório, já o dissemos. O Espírito se acha no seu estado normal, quando liberto da matéria.”
Questão 226: “Poder-se-á dizer que são errantes todos os Espíritos que não estão encarnados?”
Resposta: “Sim, com relação aos que tenham de reencarnar. Não são errantes, porém, os Espíritos puros, os que chegaram à perfeição. Esses se encontram no seu estado definitivo.”
Assim sendo, a erraticidade é uma condição inerente à existência e não possui qualquer relação com punição ou segregação.
A percepção é ampliada na erraticidade.
Enquanto encarnados, estamos sujeitos a diversas influências e limitações físicas, que dificultam a percepção das verdades espirituais.
No entanto, na erraticidade, essa percepção se amplia. E então os Espíritos têm a oportunidade de refletir sobre as suas experiências passadas e traçar novos rumos para o seu aprimoramento.
A morte, é bom deixar claro, não acarreta qualquer alteração na personalidade. Isso significa que o Espírito permanece com as mesmas características de personalidade, mantendo os mesmos princípios ou vícios que possuía em vida, quando encarnado.
E, assim como ocorre no plano terreno, as ações de cada Espírito errante dependem das suas escolhas, do exercício de seu livre-arbítrio frente às possibilidades que se apresentam.
As muitas atividades e compromissos da região espiritual.
A existência na erraticidade traz inúmeras oportunidades e pode ser aproveitada de forma significativa nas várias colônias espirituais. O Espírito ali pode, por exemplo, participar de cursos e palestras promovidos por entidades superiores, assim como se envolver em atividades de auxílio.
Dessa forma, com a orientação dos mentores espirituais, o Espírito faz a escolha de novas provas e desafios que lhe possibilitem avançar em direção à sua evolução espiritual.
Em outras palavras, é uma fase de aprendizado e purificação, em que o Espírito compreende os seus erros, assimilando as lições aprendidas e buscando aperfeiçoar-se.
Entender a erraticidade, com os esclarecimentos trazidos pela Doutrina Espírita, nos ajuda, certamente, a compreender a importância das vivências e aprendizados que acumulamos ao longo de nossas existências.
Afinal, tudo o que levamos depois de deixar a vida física é a nossa consciência, a soma de nossas experiências e de nossas ações.
Ainda em “O Livro dos Espíritos”, lemos que “os Espíritos errantes são felizes ou infelizes segundo o grau de sua purificação. É nesse estado que o Espírito, tendo despido o véu material do corpo, reconhece as suas existências anteriores e os erros que o afastam da perfeição e da felicidade infinita. É então, igualmente, que ele escolhe novas provas, a fim de avançar mais depressa.”
A compreensão da vida espiritual traz melhor entendimento da vida terrena.
As explicações da Doutrina Espírita sobre o tema da erraticidade, sem dúvida, nos levam a refletir sobre o significado da vida após a morte.
Afinal, nossas condições de existência, tanto no plano físico quanto no espiritual, são moldadas pelos nossos pensamentos, emoções e atitudes.
Nós somos seres em constante desenvolvimento e é preciso sempre lembrar que atraímos para perto de nós aqueles que ressoam na mesma frequência vibratória de nossos ideais.
Como disse o Apóstolo Paulo, “estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas” (Hebreus 12:1).
Entretanto, a transformação está ao nosso alcance, independentemente do plano energético em que estejamos. Seja na vida física ou no plano espiritual, enquanto aguardamos a oportunidade de uma nova encarnação, temos o poder de moldar nossa existência por meio das escolhas que fazemos e da forma como utilizamos nosso tempo.
Noemi C. Carvalho
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