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O respeito aos nossos amigos animais no apelo de Cairbar Schutel

Grande nome do Espiritismo, Cairbar Schutel defende o respeito aos animais.

Hoje em dia, aumentou consideravelmente a ideia do respeito que devemos aos nossos amigos animais. A evolução da consciência e dos princípios morais modificou o relacionamento com esses seres da criação, bem como a importância de tratá-los com responsabilidade e afeto.

Cairbar Schutel (1868-1938), estudioso e um dos grandes divulgadores da Doutrina Espírita, nutria profundo respeito pelos animais, uma vez que os reconhecia como nossos amigos e irmãos na jornada evolutiva.

Prova disso é o fato de ele ter “aposentado” seu cavalo de nome Cabrito, permitindo-lhe o repouso necessário depois de muitos anos de trabalho dedicado. Além disso, Cairbar prestou homenagem a seu gato Nhonhô, na Revista Internacional de Espiritismo, em 1932.

Frequentemente escrevia em seus periódicos sobre a necessidade de nos relacionarmos bem com os nossos amigos animais. Ele lembrava que, afinal, eles são seres inteligentes, sensíveis, e possuidores de uma alma em desenvolvimento.

Em seu livro “A Gênese da Alma” (1924), Cairbar Schutel aborda as transformações necessárias para a evolução do Espírito.

Nessa obra, ele discorre amplamente sobre a questão do tratamento que devemos dispensar aos animais, considerando-os nossos irmãos inferiores, necessitados, portanto, de nosso auxílio para o seu progresso.

Schutel ressalta a importância de tratar os animais com consideração, compaixão e cuidado, reconhecendo, dessa forma, seu valor e o papel que desempenham em nosso mundo.

E, ainda mais, o nosso papel como facilitadores de nossos irmãos menores, atendendo à Lei de Evolução, que contempla todas as criaturas de Deus.

O apelo de Cairbar Schutel pelo respeito e bons tratos aos animais.

Cairbar Schutel, na obra acima citada, pede que se reconheça a importância da evolução espiritual dos animais. E que, em função disso, eles sejam tratados com compaixão e respeito.

Em sua época, era predominante a utilização de animais para serviços de tração, sobretudo os cavalos e os burros. Por isso ele faz um apelo veemente para que não sejam maltratados e nem abandonados, uma vez que eles são seres vivos que também merecem amor e cuidado.

Se Deus provê todas as necessidades dos animais na natureza, nós não devemos ser menos gentis com eles, tratando-os como desejamos ser tratados pelo Pai celestial.

Cairbar incentiva todos a tratarem os nossos amigos animais, seja de estimação, de trabalho, bem como os viventes na natureza com carinho e respeito.

Para isso, devemos proporcionar-lhes cuidados, alimento e descanso adequados, atitudes que devem se estender ao período de velhice dos nossos irmãos menores.

Ele também afirma que frequentemente solicitamos auxílio e proteção aos Espíritos Divinos. Mas nós, comparados aos seres angélicos, somos ainda seres imperfeitos. E por isso nos deixamos levar por muitos dos instintos inferiores que nos sujeitam às inevitáveis consequências da lei de causa e efeito.

Schutel conclui lembrando que os animais domésticos são nossos companheiros nesta existência terrestre. E que assim como nós, eles vieram para aprender e evoluir.

Portanto, cabe a nós sermos os seus anjos protetores, tratando-os com benevolência, assim como o nosso Pai celestial é benevolente com todos.

Leia, em seguida, o texto de Cairbar Schutel na íntegra.

APELO EM FAVOR DOS ANIMAIS

“Vós que vedes luzes nestas letras, que traçam a estrada da Evolução Espiritual, e não vos achais mais escravizados pelo “gênio do mundo”, à erva que seduz, às flores que encantam, tende compaixão dos pobres animais, não os espanqueis, não os maltrateis, não os repudieis!

Lembrai-vos, amigos meus, que o Pai, em sua infinita misericórdia, cerca-os de carinhos, e, prevendo a deficiência de seus Espíritos infantis, lhes dá fartas colheitas sem a condição de que semeiem ou plantem: prados cobertos de ervas e flores odorosas, bosques sombrios, planícies e planaltos, onde não faltam os frutos da vida; rios, lagos e mares, por onde se escoam os raios do Sol, a luz da Lua, o brilho das estrelas!

Sede bons para com os vossos irmãos inferiores, como desejais que o Pai celestial vos cerque de carinho e de amor!

Não encerreis em gaiolas os pássaros que Deus criou para povoarem os ares, nem armeis ciladas aos animais que habitam as matas e os campos!

Renunciai às caçadas, diversão vil das almas baixas, que se alegram com os estertores das dores alheias, sem pensar que poderão também ter dores angustiosas, e que, nesses momentos, em vez de risos e alegria, precisarão de bálsamo e misericórdia!

Homens! Tratai bem os vossos animais, limpai-os, curai- os, alimentai-os fartamente, dai-lhes descanso, folga no serviço, porque são eles que vos ajudam na vida, são eles que vos auxiliam na manutenção da vossa família, na criação dos vossos filhos!

Senhores! Acariciai os vossos ginetes, os vossos cães, dai-lhes remédio na enfermidade, tratamento, liberdade e repouso na velhice!

Carroceiros! Não sobrecarregueis os vossos burros e os vossos cavalos como fazem com os homens os escribas e fariseus: impondo-lhes pesados fardos que eles, nem com a ponta do dedo os querem tocar!

Lembrai-vos que os animais são seres vivos, que sentem, que se cansam, que têm força limitada, e finalmente, que pensam, e que, em limitada linguagem, acusam a sua impotência, a sua fadiga irreparável aos golpes do relho e das bastonadas com que os oprimis!

Sede benevolentes, porque também em comparação aos Espíritos Divinos, de quem implorais luz e benevolência, sois asnos sujeitos à ação reflexa do bem e do mal!

Senhores e matronas! Moços, moças e crianças! Os animais domésticos são vossos companheiros de existência terrestre; como vós, eles vieram progredir, estudar, aprender!

Sede seus anjos tutelares, e não anjos diabólicos e maléficos, a cercá-los de tormentos, a infligir-lhes sofrimentos!

Sede benevolentes para com os seres inferiores, como é benevolente, para com todos, o nosso Pai que está nos Céus!”

Cairbar Schutel, no livro “Gênese da Alma”

Noemi C. Carvalho

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