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Os pontos principais da Doutrina Espírita

Kardec resume os pontos principais da Doutrina Espírita.

Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, na Introdução de “O Livro dos Espíritos”, faz um resumo dos principais pontos que constituem o fundamento da Codificação.

A Doutrina Espírita é o resultado do meticuloso trabalho realizado por Kardec. Ele compilou inúmeras mensagens que foram transmitidas a vários médiuns, localizados em diferentes partes do mundo.

Da mesma forma, as respostas às perguntas formuladas foram transmitidas por diversos Espíritos – nome pelo qual eles mesmos se denominaram.

Esse extenso trabalho foi realizado par Kardec para que os ensinamentos advindos das mensagens recebidas fossem consistentes..

Em seguida, elas foram analisadas e ordenadas criteriosamente, resultando, no ano de 1857, nessa que é uma das obras basilares da Codificação Espírita.

Acompanhe, a seguir, quais foram os principais pontos que Kardec destacou e resumiu, constantes da primeira obra da Doutrina Espírita, que são amplamente esclarecidos ao longo de “O Livro dos Espíritos”.

Noemi C. Carvalho

O resumo de Allan Kardec para os principais pontos da Doutrina Espírita.

Leia, em seguida, alguns dos principais pontos que Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, ressaltou como sendo de grande importância e valor.

Deus e o Universo

— Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom;

— criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais;

— os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos;

— o mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo;

— o mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita;

Corpo, Espírito, alma e perispírito

— os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade;

— entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras;

— a alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório;

— há no homem três coisas:
– 1º, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
– 2º, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
– 3º, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito;

— tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos;

— o laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém, que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições;

— o Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato;

Classes de Espíritos

— os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade.

– os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos.

– os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal.

– há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons, nem muito maus, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconsequências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos;

Encarnação e erraticidade

— os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita.
– esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão.
– a vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral;

— deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante;

— tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos;

— a encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal;

— as diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição;

A alma

— as qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro;

— a alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo;

— na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra a alma todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez;

Morada dos Espíritos encarnados e dos não encarnados

— o Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará.
– aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal;

— os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo;

— os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós;

Influências dos Espíritos

— os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico.
– atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo;

— as relações dos Espíritos com os homens são constantes.
– os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação.
– os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles;

Comunicações dos Espíritos

— as comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas.
– as ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia.
Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações.
– as comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos;

— os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação;

— podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos;

— os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca.
– os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem.
– a presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos.
– longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro;

Bons e maus Espíritos

— distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil.
– os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da humanidade.
– a dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças.
– em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde reine íntima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem;

A moral dos Espíritos

— a moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal.
– neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações;

— ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria;
– que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual;
– cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo;
– que o forte e o poderoso devem amparo e proteção ao fraco, porquanto transgride a lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante.

— ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas;
– que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados;
– que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra;

— mas ensinam também não haver faltas irremissíveis que a expiação não possa apagar.
– meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conforme os seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.

Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores.

Allan Kardec

Referência

O Livro dos Espíritos“, Allan Kardec – Introdução – Item VI

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2 comentários em “Os pontos principais da Doutrina Espírita”

  1. Gostaria de receber o resumo dos livros dos médiuns capítulo 4 teoria das manifestações físicas. Seria possível…. obrigada

  2. Espiritismo em Foco

    Agradecemos o seu comentário! Publicamos um resumo referente à sua solicitação, sob o título “Manifestações físicas dos Espíritos: você sabe como ocorrem?”, abrangendo alguns pontos principais. Por ser um assunto bem complexo, posteriormente faremos novas publicações com maiores detalhamentos. Esperamos que lhe seja proveitoso!

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