
Cuidado para não ficar cada vez mais triste tentando encontrar a felicidade.
A felicidade é, sem dúvida, um dos elementos que motivam a nossa vida. E tentando ser felizes, procuramos diversas formas para sentir aquele gostinho bom de alegria. Mas nem sempre conseguimos o nosso objetivo. Como, então, podemos encontrar a felicidade?
A felicidade pode ser definida como um estado de espírito e, como tal, não deve ser vinculada unicamente à realização de desejos. Ficamos alegres, sem dúvida, quando conseguimos uma coisa muito esperada; mas a felicidade dever existir mesmo sem essa realização, e apesar dos reveses que a vida nos apresenta.
Afinal, a busca pela felicidade não pode se tornar algo opressivo. Se ela se torna uma imposição, uma necessidade quase obsessiva e doentia, isso pode acabar comprometendo o nosso bem-estar.
Assim, entender o seu significado e saber como encontrar a felicidade nos ajuda a não cair na contradição de ficar cada vez mais tristes ao tentarmos ser felizes.
Hammed tem uma dica de como encontrar a felicidade.
O Espírito Hammed* define o conceito de felicidade da seguinte forma:
“As estradas que nos levam à felicidade fazem parte de um método gradual de crescimento íntimo cuja prática só pode ser exercitada pausadamente, pois a verdadeira fórmula da felicidade é a realização de um constante trabalho interior. Ser feliz não é uma questão de circunstância, de estarmos sozinhos ou acompanhados pelos outros, porém de uma atitude comportamental em face das tarefas que viemos desempenhar na Terra. Nosso principal objetivo é progredir espiritualmente e, ao mesmo tempo, tomar consciência de que os momentos felizes ou infelizes de nossa vida são o resultado direto de atitudes distorcidas ou não, vivenciadas ao longo do nosso caminho.”
Em outras palavras, a felicidade faz parte de um crescimento pessoal. E este deve ser feito aos poucos, pois a verdadeira fórmula para ser feliz vem de um trabalho interior contínuo de aperfeiçoamento pessoal.
É por isso que, para ser feliz, ninguém depende de estar sozinho ou acompanhado, mas de como enfrenta as situações da vida. O nosso objetivo principal é evoluir espiritualmente. E tanto os momentos felizes como os tristes são consequência de nossas atitudes, sejam elas corretas ou não, que exercemos diariamente.
Assim, entendendo que somos Espíritos em evolução, sujeitos a acertos e a falhas, aceitamos as diversas fases da nossa vida como aprendizado para melhorar as nossas escolhas e testar a nossa resiliência.
Encontrar a felicidade e respeitar o livre-arbítrio.
Hammed levanta outro ponto importante: nós não podemos ser responsáveis pela felicidade do outro. Isso pode se tornar uma armadilha que nos leva a negligenciar nossas próprias necessidades e desejos, resultando em frustração e insatisfação. Assumimos, muitas vezes, deveres que não são nossos. E assim assumimos compromissos que pertencem ao livre-arbítrio dos outros, demonstrando uma falta de limites e, muitas vezes, perdendo a própria identidade.
Nas palavras do mentor espiritual, “por acreditarmos que cabe unicamente a nós a responsabilidade pela felicidade dos outros, acabamos nos esquecendo de nós mesmos. Como consequência, não administramos, não dirigimos e não conduzimos nossos próprios passos. Tomamos como jugo deveres que não são nossos e assumimos compromissos que pertencem ao livre-arbítrio dos outros. O nosso erro começa quando zelamos pelas outras pessoas e as protegemos, deixando de segurar as rédeas de nossas decisões e de nossos caminhos.”
O cuidado que dirigimos ao outro, nosso empenho para que ele encontre a felicidade, é motivado por amor ou preocupação. Mas uma super proteção pode se tornar prejudicial tanto para o desenvolvimento como no que se refere a aceitar e saber lidar com frustrações. Além disso, essa atitude exagerada pode criar um ciclo vicioso que nos impede de encontrar o nosso verdadeiro propósito. Não podemos esquecer que, a par do cuidado ao próximo, temos também o compromisso de cuidar de nós mesmos, de nossa evolução espiritual.
Ninguém pode nos fazer felizes ou infelizes.
Buscar a própria felicidade no outro não é uma boa opção. Encontrar a felicidade não pode ser condicionada ao encontro de um par romântico. Os relacionamentos serão tanto mais românticos e felizes quanto mais cada um, individualmente, se sentir pleno e realizado.
É a partir daí que existe, então, um compartilhamento de duas existências felizes. De outro modo, o que se tem são duas pessoas tentando encontrar no outro a felicidade que não consegue realizar, querendo, assim, que o outro lhe faça sentir aquilo que não consegue sentir por si só.
Como explica Hammed, “construímos castelos no ar, sonhamos e sonhamos irrealidades, convertemos em mito a verdade e, por entre ilusões românticas, investimos toda a nossa felicidade em relacionamentos cheios de expectativas coloridas, condenando-nos sempre a decepções crônicas.
Ninguém pode nos fazer felizes ou infelizes, somente nós mesmos é que regemos o nosso destino. Assim sendo, sucessos ou fracassos são subprodutos de nossas atitudes construtivas ou destrutivas. A destinação do ser humano é ser feliz, pois todos fomos criados para desfrutar a felicidade como efetivo patrimônio e direito natural.”
Encontrar a própria felicidade é compreender e aceitar a felicidade dos outros.
Um ponto importante quando queremos encontrar a felicidade, é a forma pela qual percebemos a vida. Cada pessoa tem o seu modo particular de pensar e de sentir. Por isso é importante entender que não precisamos saber como os outros veem a vida. Mas sim como nós a percebemos, reconhecendo que cada um tem sua própria forma de ser feliz. Para sentir o gosto de viver, devemos aceitar que cada pessoa tem um ponto de vista válido, de acordo com sua maturidade espiritual.
“O ser psicológico está fadado a uma realização de plena alegria, mas por enquanto a completa satisfação é de poucos, ou seja, somente daqueles que já descobriram que não é necessário compreender como os outros percebem a vida, mas sim como nós a percebemos, conscientizando-nos de que cada criatura tem uma maneira única de ser feliz. Para sentir as primeiras ondas do gosto de viver, basta aceitar que cada ser humano tem um ponto de vista que é válido, conforme sua idade espiritual.
Para ser feliz, basta entender que a felicidade dos outros é também a nossa felicidade, porque todos somos filhos de Deus, estamos todos sob a Proteção Divina e formamos um único rebanho, do qual, conforme as afirmações evangélicas, nenhuma ovelha se perderá.”
Na relação a dois é preciso respeitar o momento de cada um.
“É sempre fácil demais culparmos um cônjuge, um amigo ou uma situação pela insatisfação de nossa alma, porque pensamos que, se os outros se comportassem de acordo com nossos planos e objetivos, tudo seria invariavelmente perfeito. Esquecemos, porém, que o controle absoluto sobre as criaturas não nos é vantajoso e nem mesmo possível”, esclarece Hammed, que continua:
“A felicidade dispensa rótulos, e nosso mundo seria mais repleto de momentos agradáveis se olhássemos as pessoas sem limitações preconceituosas, se a nossa forma de pensar ocorresse de modo independente e se avaliássemos cada indivíduo como uma pessoa singular e distinta. Nossa felicidade baseia-se numa adaptação satisfatória à nossa vida social, familiar, psíquica e espiritual, bem como numa capacidade de ajustamento às diversas situações vivenciais.”
Quando respeitamos o outro como uma pessoa de características únicas, com pensamentos distintos dos nossos, que sente e percebe a vida do seu jeito, reafirmamos, do mesmo modo, a nossa própria individualidade.
Ao deixarmos de nos comparar e validarmos nossas escolhas, aceitamos também as escolhas e opções que os outros fazem. Assim, quando não se está mais tentando ser feliz somente como uma forma de buscar aprovação e mostrar aos outros que somos aquilo que, na verdade, não somos, acabamos com os jogos do ego.
Trocamos, então, a superficialidade momentânea, a felicidade que é menos do que uma alegria espontânea, pelo sentimento benfazejo e renovador da felicidade que vem de mãos dadas com um sentimento de profunda paz.
Encontrar a felicidade não é simplesmente realizar todos os nossos desejos.
Para concluir o raciocínio até aqui delineado, o autor espiritual arremata:
“Felicidade não é simplesmente a realização de todos os nossos desejos; é antes a noção de que podemos nos satisfazer com nossas reais possibilidades.
Em face de todas essas conjunturas e de outras tantas que não se fizeram objeto de nossas presentes reflexões, consideramos que o trabalho interior que produz felicidade não é, obviamente, meta de uma curta etapa, mas um longo processo que levará muitas existências, através da Eternidade, nas muitas moradas da Casa do Pai.”
Essa compreensão nos encoraja a valorizar não apenas o que conquistamos, mas também a jornada que percorremos para chegar até aqui. Nesse trajeto, aprendemos que a verdadeira alegria vem de aceitar nossas limitações e cultivar a gratidão, permitindo que cada pequena vitória contribua para o nosso crescimento espiritual. Somente assim, podemos encontrar paz em meio às adversidades e experimentar uma felicidade profunda e duradoura.
Redação Espiritismo em Foco
Referência
*Hammed, em Renovando Atitudes, psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto
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