Existe uma explicação para saber por que sofremos na vida?
Quem já não se perguntou por que sofremos tanto em nossa vida nesta Terra? Vivemos momentos tão bons, felizes, tranquilos. Por que a vida não pode ser sempre assim? Por que Deus, que é bom e justo, permite que passemos por tantas dificuldades, não nos guarda e protege para que só aconteçam coisas boas, para que tudo sempre dê certo?
A resposta é que Deus não impõem o nosso sofrimento, mas Ele o permite. Então, de onde vem o sofrimento, se não vem de Deus? Ele vem de nós mesmos, de nossas escolhas. Pode parecer estranho, até inconcebível, crer que nós escolhemos isso. Mas tudo se torna claro quando compreendemos as condições existenciais do ponto de vista do Espiritismo.
A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, traz explicações detalhadas sobre a continuidade da alma depois da morte do corpo, com a vida que prossegue na esfera espiritual. Também esclarece sobre a reencarnação como necessidade de reajustamento, de aprendizado e de evolução, em ciclos de nascimento e morte que se alternam indefinidamente.
Esses ciclos dependem de nosso aproveitamento de cada existência terrena e de cada estágio na espiritualidade, em função de quanto conseguimos colocar em prática dos ensinamentos do Cristo. E para melhor entendimento das explicações a seguir, lembremos que ele deixou como lei maior “amar a Deus, acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Se sofremos na vida, não é por acaso.
Então, para entender por que sofremos tanto durante a nossa vida, vamos recorrer às explicações que se encontram em “O Livro dos Espíritos”¹, por Allan Kardec. Mais precisamente na Questão 258, que trata da escolha de provas.
Kardec pegunta se “quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?”
A resposta dada pelos Espíritos da Codificação é clara e direta: “Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.”
Ou seja, estando cientes das falhas que cometemos em nossa última encarnação, sentimos a necessidade de corrigir as nossas atitudes. E isto acontece com o acompanhamento de elevados mentores espirituais que nos orientam no planejamento de nossa reencarnação.
Eles nos ajudam a escolher as provas, para que, no desejo de reparar os nossos erros, não acabemos pedindo situações que, no plano espiritual, podem nos parecer suportáveis. Mas, no conjunto de situações que a vida terrena traz, podem se tornar demais. Portanto, eles nos auxiliam justamente para que consigamos honrar os compromissos que assumimos. Isto é, que tenhamos condições de suportar os sofrimentos que escolhemos.
Temos a liberdade de escolher as nossas ações e o nosso caminho.
Em vista da resposta dada, Kardec então pergunta se “não é Deus, então, quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?”
“Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo”, dizem os elevados mentores espirituais. Mas se dá “ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem”.
Assim, continuam, os caminhos ficam abertos e cada um é responsável por escolher o do bem ou o do mal. Mas se não conseguir bons resultados numa encarnação, deixando suas atitudes serem conduzidas pelo egoísmo, pela inveja, pela cobiça, enfim, pela prática do mal, ainda assim pode ter uma consolação. É que “a Bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi malfeito”, isto é, de reencarnar e, mais uma vez, escolher as provas que serão parte de sua vida.
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Além disso, os Espíritos da Codificação esclarecem que é importante que “se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da vontade do homem”. Então, por exemplo, se um perigo nos ameaça, um desafio se impõe para ser superado, foi Deus quem o criou. Mas isso só porque Ele atendeu o nosso desejo de enfrentar essa adversidade, porque vimos nisso um meio de progredir. E Deus o permitiu.
Um dia, haverá menos sofrimento na Terra.
Podemos, assim, entender também porque a Terra é um mundo que está classificado como de Provas e Expiações. Todos nós – à exceção de alguns Espíritos mais elevados que estão em missão – já reencarnamos milhares de vezes. E, certamente, tivemos dificuldades em “perdoar os que nos ofenderam”. Ou, mais uma vez, “caímos em tentação” e “não conseguimos nos livrar do mal”, do mal que ainda reside em nós e que nos leva pelos maus caminhos. Mas Deus não tem pressa e nos concede a eternidade para conseguirmos alcançar a felicidade verdadeira que Ele deseja para nós.
Entretanto, existem planos divinos que devem ter continuidade, como é o caso da progressão dos mundos. Se a meta da humanidade é a evolução, os planetas também passam por estágios evolutivos. É o que ocorre nas transições planetárias, como a que a nossa Terra se aproxima. E um mundo, para ser melhor, precisa de habitantes melhores, isto é, que convivam em paz, em harmonia, com respeito e solicitude, que não precisem pensar duas vezes antes de ter uma atitude baseada no bem e nos preceitos morais do Cristo. (Se você quer saber mais sobre este assunto, use a ferramenta de “Pesquisa” em nosso site, e procure por “transição planetária”.)
Portanto, podemos compreender que, se nós sofremos em nossa vida, é por causa das escolhas que fizemos, que geraram consequências desagradáveis como perdas, dor, sofrimento, revolta a nossos irmãos de jornada. E procuramos, então, reparar essas falhas que cometemos, mesmo sabendo que isso vai trazer momentos dolorosos para a nossa vida.
Dessa forma, aprendemos, se não pelo amor, mas pela dor, a sermos pessoas melhores. E assim, avançamos mais um pouco em nosso caminho de evolução e aperfeiçoamento.
Redação Espiritismo em Foco
Referência
“O Livro dos Espíritos“, por Allan Kardec – Parte Segunda – Capítulo VI – Da Vida Espírita – Escolha das Provas – Questão 258
Você sabia que escolhemos como vamos viver antes mesmo de reencarnar?
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