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Eurípedes Barsanulfo

Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo do Triângulo.

Eurípedes Barsanulfo nasceu em Sacramento, na região do Triângulo Mineiro, em 1º de maio de 1880 e desencarnou na mesma cidade, aos 38 anos de idade, em 1º de novembro de 1918, vitimado pela gripe espanhola. Ele ficou conhecido como o Apóstolo do Triângulo.

Barsanulfo tomou o primeiro contato com a existência dos fenômenos espíritas por um tio, quando recebeu dele o livro “Depois da Morte”, de autoria de Léon Denis, o que o levou a se interessar pelas obras da Doutrina Espírita.

Em 1904, na sexta-feira da Paixão, foi com um amigo assistir a uma sessão espírita na Fazenda Santa Maria. Encantou-se com o que viu e sentiu e, dias depois, assistiu a nova sessão.

E foi nesse dia que Eurípedes recebeu uma mensagem de Vicente de Paulo para que se dedicasse à Doutrina dos Espíritos: “Meu filho, as portas de Sacramento vão fechar­-se para você. Os amigos afastar­-se-­ão. A própria família voltar-­se-­á. Mas, não se importe. Proclame sempre a Verdade, porque, a partir desta hora, as responsabilidades de seu Espírito se ampliarão ilimitadamente”, dizia o benfeitor.

Eurípedes, então, dedicou-se totalmente a atividades voltadas ao estudo e pesquisa da Doutrina, de modo a desfazer as suas dúvidas. E, como foi advertido, foi incompreendido por familiares e amigos.

Apesar das perseguições, Eurípedes se dedicou ao desenvolvimento da mediunidade.

A partir daí, Barsanulfo incluiu o ensino do Espiritismo nas matérias que lecionava, o que provocou reação de muitos pais de alunos, que chegaram a oferecer-lhe dinheiro para que desistisse da nova matéria. E ante a sua recusa, os alunos foram retirados um a um.

As pressões e perseguições que sofria desencadearam um forte trauma. Em função disso, ele foi em busca de tratamento e recuperação numa cidade vizinha.

Nessa época, desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial, a de cura. Inclusive, um dos primeiros casos de cura ocorreu com sua própria mãe, que, em seguida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.

A mediunidade de Eurípedes, sem dúvida, se desenvolveu de forma notável, espontânea e multiforme, como só acontece com Espíritos especialmente preparados para isto e que tenham uma missão especial, como era a dele.

Desdobramento, vidência, psicofonia, psicografia, curas, receituário, efeitos físicos, foram surgindo e se tornando habituais em sua vivência, atraindo para Sacramento centenas de pessoas de outras regiões. E a todos Barsanulfo atendia, para que ninguém saísse, pelo menos, com o lenitivo da fé e a esperança renovada.

A capacidade de desdobramento era tão comum em sua vida, que ele atendia enfermos que se encontravam em outros locais, entrando em transe e indo, em Espírito, aonde estes se encontravam.

As várias atividades desempenhadas por Barsanulfo.

E foi assim que, em seu breve tempo na existência terrena, Eurípedes Barsanulfo fundou entidades assistenciais e educativas.

Em 1905, fundou o Grupo Espírita Esperança e Caridade, prestando assistência social e espiritual aos necessitados do corpo e do espírito.

Em seguida, em 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, instituição que, entre outras disciplinas, ensinava Astronomia e Fundamentos da Doutrina Espírita.

Ali era valorizado não apenas o conhecimento intelectual, mas também o desenvolvimento moral e espiritual dos alunos. Mas, em 1918, com o advento da grave epidemia de gripe espanhola, teve que interromper as atividades.

Sob a orientação de Bezerra de Menezes, ainda em 1907, fundou a Farmácia Espírita Esperança e Caridade, que contava também com um laboratório. Em nenhuma de suas atividades Eurípedes visava retorno pecuniário.

A farmácia fazia a distribuição gratuita das medicações prescritas e se mantinha com o seu trabalho e com as doações recebidas, para que todas as pessoas recebessem o tratamento necessário.

Além disso, Barsanulfo atendia e consolava milhares de necessitados, pessoalmente ou por carta, e até por desdobramento espiritual. As cartas chegavam aos milhares, vinda de todos os pontos do Brasil, com comoventes solicitações de enfermos do corpo e do espírito.

A todas ele respondia com receitas ou orientações de Bezerra e, ainda mais, enviava diariamente, pelos Correios, centenas de remédios manipulados na farmácia.

Os revezes na dedicação ao ideal espírita.

Com o crescimento do Movimento Espírita na região, o clero católico começou uma campanha difamatória contra Eurípedes e o Espiritismo. Barsanulfo, por sua vez, defendia os seus ideais por meio das colunas do jornal Alavanca.

A Igreja decidiu, então, enviar a Sacramento, o Reverendo Feliciano Yague, certa de que ele, famoso por suas pregações e conhecimentos, conseguiria acabar com o crescimento do Espiritismo na região.

Em praça pública, ocorreu o esperado embate, com o padre Yague iniciando as suas observações. Em seu discurso insultou o Espiritismo e os espíritas, dizendo que era “doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas”.

Eurípedes aguardou serenamente a oportunidade para retrucar, mas, ao contrário do padre, começou com uma bela prece humilde e sincera, implorando paz e tranquilidade para uns e luz para outros.

Em seguida, com o ambiente preparado para receber a inspiração e assistência do plano maior, começou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam os seus ensinamentos.

Com palavras que transbordavam delicadeza e lógica, foi acompanhado por manifestações de apoio da multidão. E então, ao terminar a polêmica, Eurípedes aproximou-se do Reverendo e abraçou-o fraterna e sinceramente.

Um grave momento exigiu uma incansável dedicação de Eurípedes Barsanulfo.

No ano de 1918, o mundo foi surpreendido pela terrível gripe espanhola, que deixou um rastro de dor e aflição, redobrando, sem dúvida, o trabalho do grande missionário. Inclusive, Barsanulfo previra a sua ocorrência, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.

Mesmo assim, seguindo com dedicação as orientações de Jesus Cristo, atendeu pessoalmente centenas de famílias vitimadas pela epidemia, até o último instante de sua vida terrena.

Enfim, com suas forças esgotadas pelo esforço dispendido, acabou por sucumbir vitimado pela mesma doença. Chegara ao término de sua missão terrena, mas Eurípedes Barsanulfo logo ressurgiu no plano espiritual como um dos maiores missionários do Espiritismo.

Noemi C. Carvalho

fonte – União Espírita Mineira (UEM)

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