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O que é obsessão espiritual, conforme o Espiritismo

Quando dois temas sensíveis se encontram: a obsessão e a morte.

Dando início a uma profunda conversa, abordaremos um tema que desperta grande interesse: a obsessão espiritual, explicada de acordo com a visão do Espiritismo.

Esse tópico é carregado de questões sensíveis, relacionadas à concepção espírita da inevitável realidade da morte física.

Afinal, a obsessão pode ser encarada como uma interferência energética e espiritual estabelecida na encruzilhada entre os planos astral e material.

Como é encarada a morte pela Doutrina Espírita?

Segundo a Doutrina Espírita, a morte não é o fim absoluto da existência, mas sim, um desdobramento, uma passagem para o plano espiritual.

E a vida que ali experimentaremos é determinada por dois fatores: a soma do nosso aprendizado e da nossa bagagem moral.

Em outras palavras, o conhecimento, a sabedoria, a ética e os valores morais são os elementos que compõem essa bagagem espiritual que levamos conosco quando fechamos os olhos para a vida terrena.

Ao contrário, os bens materiais – como a nossa casa, carro, roupas ou investimentos – ou as posições sociais e títulos conquistados não ultrapassam as fronteiras na travessia para a vida espiritual.

Qual a finalidade da vida na Terra?

Conforme já dissemos anteriormente, como seres imortais, quando se esgota o nosso prazo na existência terrestre, o nosso destino no além é determinado pelas conquistas morais e intelectuais que acumulamos.

E essas conquistas se revelam pelos estudos que fazemos, pelas nossas atitudes, pela forma como nos relacionamos com os outros, por como superamos as dificuldades da vida.

Portanto, é de fundamental importância aproveitar muito bem cada encarnação.

A reencarnação representa uma nova oportunidade de avançar mais um passo na caminhada evolutiva e, consequentemente, ficarmos melhor quando regressamos à vida espiritual.

A obsessão espiritual, segundo o Espiritismo, pode interferir na vida material?

A resposta é sim. Como explicado pelo Espiritismo, a obsessão abre um capítulo importante para compreendermos como a realidade espiritual realmente interfere na material.

E, sem dúvida, com a consciência desse processo, nós podemos nos proteger contra essas situações potencialmente hostis, fortalecendo a nossa resiliência mental e emocional.

O Espiritismo deixa claro que temos, à nossa volta, além dos Espíritos bons, outros que não nos são favoráveis.

Entretanto, não estamos indefesos, pois nós temos o poder de filtrar as suas influências à luz de nossa consciência.

As presenças espirituais constam do Evangelho?

As narrativas evangélicas trazem diversos exemplos da realidade dessas presenças espirituais.

Em uma passagem notável, por exemplo, na carta aos Hebreus, Paulo menciona que estamos cercados por uma grande nuvem de testemunhas espirituais. (Hebreus, 12:1)

Em outra passagem, Jesus e seus apóstolos se deparam com um homem atormentado por Espíritos, que se apresentam como “legião”, por serem muitos. (Marcos, 5:9)

É verdade que atraímos as companhias espirituais?

Sim, certamente, nós atraímos as companhias espirituais. E isso se dá, na maioria das vezes, pelo nosso padrão mental e emocional.

Pensamentos e emoções têm uma forte influência e, até mesmo, determinam a qualidade dos Espíritos que vão se aproximar de nós.

Por isso, é fundamental estarmos inteiramente conscientes dos nossos pensamentos e sentimentos para nos protegermos de companhias espirituais que não sejam amistosas.

Como o pensamento pode causar a atração espiritual?

Com relação ao pensamento, é importante entender que ele não é uma simples abstração: ele possui força e direção.

Além disso, ao emitir um pensamento, plasmamos uma energia no nosso campo psíquico. E essa energia é perceptível para as entidades espirituais que nos rodeiam, tanto as positivas quanto as negativas.

Ou seja, se seguimos sempre o caminho do bem, sempre teremos a presença de bons Espíritos ao nosso lado. Enquanto um caminho oposto, naturalmente, nos liga a Espíritos da mesma faixa de vibração.

Precisamos, então, prestar atenção aos nossos pensamentos?

Exatamente. É de fundamental importância manter uma vigilância constante sobre os nossos pensamentos.

Não podemos deixar que eles vagueiem pela nossa mente de forma descontrolada, acumulando ideias negativas, pessimistas ou raivosas, por exemplo.

Porque, assim, podemos inadvertidamente atrair companhias espirituais que não são adequadas nem benéficas para o nosso progresso moral e espiritual.

E é importante sempre lembrar que, tanto no plano terrestre quanto no espiritual, estamos acompanhados por entidades espirituais que se ligam a nós pelo nosso estado vibracional.

E como, então, prevenir a obsessão espiritual, de acordo com o Espiritismo?

O Espiritismo nos ensina várias maneiras de evitar ou diminuir a ação da obsessão espiritual.

1 – Cultivar bons pensamentos e sentimentos

Uma delas, como já falamos, é o cultivo de pensamentos e sentimentos elevados.

É claro que ficar sempre em sintonia com os sentimentos de amor, de gratidão, de perdão e de compaixão ajudam a elevar a nossa vibração.

E, por consequência, proporciona a aproximação de companhias espirituais de alta vibração.

2 – Fazer da oração uma prática constante

A prática regular da oração e da meditação também são de fundamental importância.

Através destas práticas, podemos aumentar a nossa conexão com a espiritualidade superior, reforçar a nossa proteção espiritual e manter, assim, uma perspectiva positiva na vida.

3 – Manter o hábito do estudo evangélico

Outro ponto importante é o estudo continuado de temas embasados no Evangelho, isto é, nos ensinamentos de Jesus Cristo.

Este é um elemento que também se reveste de grande importância, porque através do estudo sistemático do Evangelho adquirimos a compreensão da vida e da conduta apoiada nos valores morais.

O Espiritismo, além disso, traz o esclarecimento da continuação da vida após a morte, da reencarnação e das consequências da lei de causa e efeito.

4 – Adotar a prática da caridade, em todas as suas formas

Finalmente, relembrando Tiago, a fé, sem obras, fica vazia, inerte (Tiago, 2:17).

Ou seja, a caridade, seja por ações materiais, por palavras de apoio, em atitudes de empatia e acolhimento, deve ser uma prática constante, e não apenas se revestir de ações esporádicas.

Já foi dito que a única coisa que pode reverter o mal é a prática do bem. (Romanos, 12:21)

Então, seguindo essas orientações não aparecerão problemas na vida?

Os desafios da vida são inevitáveis, mesmo quando nos empenhamos ao máximo para manter uma sintonia positiva com o plano espiritual.

No entanto, esses desafios não devem ser interpretados como punições ou sinais de negatividade espiritual.

Ao invés disso, devemos encará-los como chances para o crescimento pessoal e para a aquisição de novos conhecimentos.

É verdade que os nossos desafios podem ter origem em outras existências?

Sim, a Doutrina Espírita também traz a compreensão que muitas das contrariedades que enfrentamos são necessárias para ajustes de atitudes que tivemos em encarnações anteriores.

É a aplicação da lei natural de causa e efeito, para que tudo se mantenha em perfeito equilíbrio em todo o universo.

Portanto, se você passar por provações, lembre-se de que Jesus nos deixou este estímulo:

“Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. João 16:33

Lembre-se que existe uma encruzilhada entre os planos astral e material.

Vemos, portanto, porque devemos sempre atentar a essa relação que existe, a todo momento, entre os planos da vida material e da vida espiritual, como eles se cruzam e interagem.

O Espiritismo trouxe com muita clareza essa compreensão sobre o tema da obsessão dentro do contexto da realidade espiritual e o seu impacto em nossa vida cotidiana.

E, como pudemos compreender, ter a consciência do poder dos nossos pensamentos e sentimentos e manter hábitos que promovem a evolução moral e espiritual são atitudes fundamentais para nos protegermos contra a obsessão espiritual.

Além disso, dessa forma estaremos sempre em contato com boas companhias do plano espiritual, amigos e benfeitores que nos ajudam na nossa jornada terrena.

Assim, certamente, teremos o melhor aproveitamento da nossa reencarnação, esta oportunidade tão importante no nosso plano de evolução.

José Batista de Carvalho

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