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Um plano sombrio no submundo espiritual

Uma reunião acontece no reino espiritual das sombras.

A literatura espírita, através de seus mais idôneos representantes, traz ao nosso conhecimento a realidade do reino espiritual e, além disso, a existência das cidades do submundo e das atividades ali desenvolvidas, como este sombrio plano descrito por Irmão X, o Espírito de Humberto de Campos.

Neste conto, ele revela os detalhes de uma reunião onde os chefes das trevas procuram meios de alargar o seu domínio entre os encarnados, buscando, então, soluções eficazes para impedir o avanço moral da humanidade. E assim, impedir também a propagação do bem, da paz, da harmonia, ou seja, da aplicação de todos os ensinamentos de Jesus.

Para atingir o objetivo desse plano sombrio, foi então convocada uma assembleia com os dirigentes das legiões trevosas do submundo espiritual e seus seguidores. Sua missão era, sobretudo, encontrar a forma de atuar junto aos espíritas e impedir o avanço da doutrina esclarecedora, que propaga os ensinamentos do Cristo, através de seus elevados emissários que trazem as luzes espirituais do amor divino para orientar e clarear os passos ainda incertos da humanidade.

Leia, em seguida, esta narrativa que traz um retrato de uma das particularidades do mundo espiritual, E, além disso, é repleta de ensinamentos e de alertas para o nosso dia a dia.

A reunião convocada no submundo espiritual para arquitetar um sombrio plano.

“Em compacta assembleia do reino das sombras, um poderoso soberano das trevas, diante de milhares de falangistas da miséria e da ignorância, explicava o motivo da grande reunião.

O Espiritismo com Jesus, aclarando a mente humana, prejudicava os planos infernais.

Em toda parte da Terra, as criaturas começavam a raciocinar menos superficialmente! Indagavam, com segurança, quanto aos enigmas do sofrimento e da morte e aprendiam, sem maior dificuldade, as lições da Justiça Divina.

Compreendiam, sem cadeias dogmáticas, os ensinamentos do Evangelho. Oravam com fervor. Meditavam na reencarnação e passavam a interpretar com mais inteligência os deveres que lhes cabiam no Planeta.

Muita gente entregava-se aos livros nobres, à caridade e à compaixão, iluminando a paisagem social do mundo e, por isso, todas as atividades da sombra surgiam ameaçadas.

Que fazer para conjurar o perigo?

E pediu para que os seus assessores apresentassem sugestões.

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A primeira sugestão foi apelar para a incredulidade.

Depois de alguns momentos de expectativa, ergueu-se o comandante das legiões da incredulidade e falou:

— Procuremos veicular a crença de que Deus não existe e de que as criaturas viventes estão entregues a forças cruéis e fatais da Natureza…

O maioral das trevas, porém, objetou, desencantado:

— O argumento não serve. Quanto mais avançamos nos trilhos da inteligência, mais reconhece o homem a Paternidade de Deus, sendo atraído inelutavelmente para a fé ardente e pura.

Levantou-se, no entanto, o orientador das legiões da vaidade e opinou:

— Espalharemos a notícia de que Jesus nada tem que ver com o Espiritismo, que as manifestações dos desencarnados se resumem num caso fisiológico para as conclusões da Ciência, e, desnorteando os profitentes da Renovadora Doutrina, faremos com que gozem a vida no mundo, como melhor lhes pareça, sem qualquer obrigação para com o Evangelho e, assim, serão colhidos no túmulo com as mesmas lacunas morais que trouxeram do berço.

O rei das sombras anuiu, complacente:

— Sim, essa ilusão já foi muito importante, contudo, há milhares de pessoas despertando para a verdade, na certeza de que as portas do sepulcro não se abririam para os vivos da Terra, sem a intervenção de Jesus.

A opção pela maledicência, sugerida por quem semeia a discórdia.

Nesse ponto, o diretor das falanges da discórdia pôs-se de pé e conclamou:

— Sabemos que a força dos espíritas nasce das reuniões em que se congregam para a oração e para o aprendizado da Vida Espiritual, e nas quais tomam contato com os Mensageiros da Luz… Assim sendo, assopraremos a cizânia entre os seguidores dessa bandeira transformadora, exagerando-lhes a noção da dignidade própria. Separá-los-emos uns dos outros com o invisível bastão da maledicência.

— Chamaremos em nosso auxílio os polemistas, os discutidores, os carregadores de lixo social, os fiscais do próximo e os examinadores de consciências alheias para que os seus templos se povoem de feridas e mágoas incuráveis e, assim, os irmãos em Cristo saberão detestar-se uns aos outros, com sorrisos nos lábios, inutilizando-se para as obras do bem.

O chefe satânico, todavia, considerou:

— Isso é medida louvável, contudo, necessitamos de providência de efeito mais profundo, porque sempre aparece um dia em que as brigas e os desacordos terminam com os remédios da humildade e com o socorro da oração.

Implementar dificuldades, causar desordem, sempre uma boa opção.

A essa altura, ergueu-se o condutor das falanges da desordem e ponderou:

— Se o problema é de reuniões, conseguiremos liquidá-lo em três tempos. Buscaremos sugerir aos membros dessas instituições que o lugar dos conclaves é muito longe e que não lhes convém afrontar as surpresas desagradáveis da via pública. Faremos que o horário das reuniões coincida com o lançamento de filmes especiais ou com festividades domésticas de data fixa.

— Improvisaremos tentações determinadas para os companheiros que possuam maiores deveres e responsabilidades junto às assembleias, a fim de que os iniciantes não venham a perseverar no trabalho da própria elevação. Organizaremos dificuldades para as conduções e atrairemos visitas afetuosas que cheguem no momento exato da saída para os cultos espíritas-cristãos. Tumultuaremos o ambiente nos lares, escondendo chapéus e bolsas, carteiras e chaves para que os crentes se tomem de mau-humor, desistindo do serviço espiritual e desacreditando a própria fé.

O soberano das trevas mostrou larga satisfação no semblante e ajuntou:

— Sim, isso é precioso trabalho de rotina que não podemos menosprezar. Entretanto, carecemos de recurso diferente...

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A dúvida, sempre uma poderosa aliada do reino das sombras.

O responsável pelas falanges da dúvida ergueu-se e disse:

— As reuniões referidas são sempre mais valiosas com o auxílio de médiuns competentes. Buscaremos desalentá-los e dispersá-los, penetrando a onda mental em que se comunicam com os Benfeitores Celestes, fazendo-lhes crer que a palavra do Além resulta de um engano deles próprios, obrigando-os a se sentirem mentirosos, palhaços, embusteiros e mistificadores, sem qualquer confiança em si mesmos, para que as assembleias se vejam incapazes e desmoralizadas…

O mentor do recinto aprovou a alegação, mas considerou:

— Indiscutivelmente, o combate aos médiuns não pode esmorecer, entretanto, precisamos de providência mais viva, mais penetrante…

Enfim, a proposta aceita pelo soberano do submundo espiritual para dar início ao sombrio plano.

Foi então que o orientador das falanges da preguiça se levantou, tomou a palavra, e falou respeitoso:

— Ilustre chefe, creio que a melhor medida será recordar ao pensamento de todos os membros das agremiações espíritas que Deus existe, que Jesus é o Guia da Humanidade, que a alma é imortal, que a Justiça Divina é indefectível, que a reencarnação é uma verdade inconteste e que a oração é uma escada solar, reunindo a Terra ao Céu…

O soberano das sombras, porém, entre o espanto e a ira, cortou-lhe a palavra, exclamando:

— Onde pretende chegar com semelhantes afirmações?

O comandante dos exércitos preguiçosos acrescentou, sem perturbar-se:

— Sim, diremos que o Espiritismo com Jesus, pedindo às almas encarnadas para que se regenerem, buscando o conhecimento superior e servindo à caridade, é, de fato, o roteiro da luz, mas que há tempo bastante para a redenção, que ninguém precisa incomodar-se, que as realizações edificantes não efetuadas numa existência podem ser atendidas em outras, que tudo deve permanecer agora como está no íntimo de cada criatura na carne para vermos como ficarão depois da morte, que a liberalidade do Senhor é incomensurável e que todos os serviços e reformas da consciência, marcados para hoje, podem ser transferidos para amanhã… Desse modo, tanto vale viverem no Espiritismo como fora dele, com fé ou sem fé, porque o salário de inutilidade será sempre o mesmo…

O rei das sombras sorriu, feliz e concordou:

— Oh! até que enfim descobrimos a solução!…

De todos os lados ouviam-se risonhas exclamações:

— Bravos! Muito bem! Muito bem!

O argumento do astucioso condutor das falanges da inércia havia vencido.”

Irmão X, em “Contos e Apólogos”, psicografia de Chico Xavier

Redação Espiritismo em Foco


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