O desafio da obsessão mediúnica.
A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, oferece uma visão ampla sobre as interações entre as pessoas e os Espíritos. Uma das questões mais complexas é a obsessão que ocorre quando um Espírito inferior se liga persistentemente a um médium.
“O Livro dos Médiuns”, uma das obras fundamentais do Espiritismo, aborda este fenômeno detalhadamente. Kardec questiona os Espíritos sobre a dificuldade de alguns médiuns em se desvencilharem dessas influências nefastas e por que, mesmo invocando Espíritos bons, parecem não conseguir afastar os maus.
A natureza da afinidade fluídica.
Os Espíritos da Codificação esclarecem que o poder dos Espíritos bons é inquestionável, mas o médium precisa estar em condições de ser auxiliado.
As vibrações do médium, seus fluidos, podem estar mais em harmonia com um Espírito do que com outro, o que muitas vezes dá força aos que querem enganá-lo. Entender essa afinidade fluídica é fundamental para compreender por que certos médiuns são mais suscetíveis à obsessão.
A virtude que ainda traz imperfeições.
Entre os médiuns, existem aqueles que aparentam uma moral irrepreensível, mas que, ainda assim, sofrem bloqueios na comunicação com Espíritos elevados.
Isso nos faz refletir sobre a verdadeira pureza moral. Ser meritório aos olhos humanos não significa estar livre de imperfeições aos olhos espirituais. O orgulho e o egoísmo, por vezes velados, podem ser barreiras invisíveis que impedem a comunicação com Espíritos de alta moral.
Influências obsessivas, um perigo invisível.
A obsessão espiritual, naturalmente, não se restringe apenas aos médiuns, pois é uma condição que pode afetar qualquer pessoa.
Os Espíritos sempre exerceram sua influência sobre a humanidade, e a faculdade mediúnica não é a causa da obsessão, mas sim um meio de comunicação entre os planos físico e espiritual.
A mediunidade como ferramenta de esclarecimento.
Ser médium, portanto, não é um fator de risco para a obsessão. É justamente através da mediunidade que se pode identificar e combater a influência de Espíritos inferiores.
Os médiuns possuem a possibilidade de “ver o inimigo face a face” e, assim, utilizar os ensinamentos espíritas para se defender e esclarecer outras pessoas. Além disso, pela mediunidade se faz o esclarecimento desses Espíritos, auxiliando-os em sua evolução.
Os inimigos ocultos são revelados através da mediunidade.
A mediunidade, ao revelar a influência dos Espíritos, permite ao homem identificar e neutralizar os “inimigos ocultos” que, antes invisíveis, atuavam na sombra. Portanto, a compreensão e a vigilância são essenciais na luta contra a obsessão.
A obsessão e seus desafios na prática mediúnica.
Certamente, a obsessão é um obstáculo considerável para a prática mediúnica confiável.
Contudo, ela pode se apresentar com sinais distintos, tais como a insistência de um Espírito em se comunicar, a ilusão do médium quanto à natureza das mensagens, a crença na infalibilidade dos Espíritos comunicantes, o afastamento de potenciais conselheiros, e comportamentos compulsivos de escrita ou fala. O discernimento destas características é fundamental para reconhecer e combater a obsessão.
A obsessão e a ligação com o médium.
No estudo da Doutrina Espírita, a obsessão é compreendida como um laço pernicioso estabelecido entre um Espírito desencarnado e um encarnado, podendo este ser um médium.
Esta ligação pode se manifestar de múltiplas formas, das quais a fascinação e a subjugação são exemplos particularmente intensos e desafiadores.
Uma distinção importante: engano ou obsessão.
É importante frisar que o fato do médium ser iludido por um Espírito enganador não caracteriza, por si só, uma obsessão.
A experiência no trato com o mundo espiritual é um fator determinante para distinguir entre um simples engano, que pode ocorrer com qualquer médium, e um estado de obsessão, que se define pela persistência de um Espírito em suas investidas perturbadoras.
Os graus da obsessão espiritual: da obsessão simples à fascinação e à subjugação.
Muitos são os graus da obsessão espiritual, dependendo do grau de influência exercido sobre o médium. Vamos analisar alguns deles.
1 – Obsessão simples: o primeiro grau de influência.
A obsessão simples é identificada quando um Espírito inferior se impõe a um médium contra a sua vontade, perturbando sua paz e serenidade. O obsessor procura influenciá-lo persistentemente, perturbando as comunicações mediúnicas que este tenta estabelecer. É uma forma de perturbação reconhecida pelo próprio médium, que percebe a natureza mistificadora do Espírito que o atormenta.
O desafio da obsessão simples para o médium.
Na forma de obsessão simples, o médium, consciente que lida com um Espírito inferior, não se encontra em perigo real, pois tem a clareza de não estar sendo enganado. No entanto, essa consciência não o exime de enfrentar o incômodo que a insistência do obsessor traz. A paciência torna-se uma virtude essencial neste combate, pois é através dela que o médium pode esgotar a persistência do obsessor.
O reconhecimento e a vigilância são as melhores defesas.
Na obsessão simples, o médium, embora reconheça a presença do Espírito mistificador, consegue manter-se vigilante e é raramente levado a erros sérios. Por ser facilmente identificável, esta forma de obsessão, apesar de incômoda, geralmente não passa de um empecilho para a comunicação com Espíritos elevados e afetuosos.
2 – A fascinação: uma ilusão profunda.
A fascinação é uma forma grave de obsessão em que o Espírito obsessor cria uma ilusão tão convincente que o médium perde a capacidade de julgar a veracidade das comunicações. A pessoa afetada não reconhece o erro, visto que o Espírito influenciador infunde uma confiança cega, fazendo com que mesmo o absurdo pareça sublime. Nesta condição, a escolha das vítimas não é feita pelo nível de educação ou inteligência, onde o obsessor demonstra que pode dominar qualquer um.
O profundo controle exercido na fascinação.
Nos processos obsessivos de fascinação o Espírito exerce um controle tão significativo sobre a vítima que esta se torna incapaz de reconhecer o engano. Nesses casos, o obsediado se fecha para qualquer conselho ou crítica, mantendo-se fiel à influência nefasta. Este estado de negação é precisamente o que o Espírito obsessor deseja, pois solidifica seu domínio sobre a vítima.
As manifestações perturbadoras.
Inclui-se também neste espectro os episódios de obsessão física, caracterizados por manifestações ruidosas e obstinadas de Espíritos que se comunicam através de pancadas e outros fenômenos físicos, descritos na literatura espírita como manifestações físicas espontâneas.
Reflexões finais sobre a influência dos Espíritos.
A obsessão espiritual é uma batalha invisível, mas com repercussões tangíveis na vida dos envolvidos. A Doutrina Espírita oferece um olhar de compreensão e orientação para enfrentar tal desafio.
Os ensinamentos de Kardec ressaltam que a influência espiritual é uma constante na vida humana. A mediunidade, portanto, não provoca – mas revela – a ação dos Espíritos, proporcionando a oportunidade para a compreensão e o enfrentamento das adversidades espirituais.
Como enfrentar os processos obsessivos.
A luta contra a obsessão demanda uma postura firme e serena por parte do médium, provando ao obsessor que é inútil tentar enganá-lo. É preciso solicitar a intercessão dos bons Espíritos e o apelo ao anjo guardião para suporte e proteção.
Por mais difícil que seja o processo de moralização de um Espírito perverso, a persistência em um tratamento benevolente e a oração por sua reforma podem conduzir a uma eventual “conversão”, beneficiando ambos os lados nesse processo de caridade.
A obsessão e o desafio da autoavaliação.
A obsessão não deve ser considerada como um sinal de inferioridade da vítima, mas sim a indicação de que há obstáculos internos a serem superados. O esforço próprio é essencial.
Assim como um doente deve colaborar com o tratamento médico para obter cura, o médium deve trabalhar sua própria elevação para superar a obsessão. A humildade, a prática do bem e o esforço pessoal, sem dúvida, são peças-chave no processo de evolução espiritual.
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A influência humana sobre os Espíritos inferiores.
Curiosamente, os seres humanos podem ter mais influência sobre Espíritos inferiores do que os próprios Espíritos superiores. A linguagem humana, mais acessível a estes Espíritos de natureza mais baixa, e o exemplo vivo de moralidade podem ser de grande valia na sua educação e evolução.
Como impedir a influência espiritual indesejada.
Os Espíritos elevados lembram que não se pode impedir a influência espiritual oculta. Por isso, o conhecimento profundo do Espiritismo é apontado como a verdadeira solução ao médium para prevenir os abusos e inconvenientes que podem surgir nessa complexa relação de obsessão.
José Batista de Carvalho
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São etapas que aprendemos na doutrina espírita caminhos que segue com amor a reforma intima com amor ao Cristo em nossas vidas com a elevação como médium com a sua conduta na disciplina nos estudos.