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Todos podem receber mensagens mediúnicas?

A princípio, todos somos médiuns.

A princípio, todos somos médiuns. Afinal, quando rezamos, abrimos um canal de comunicação com a espiritualidade. E quando temos uma intuição, surge uma boa ideia ou temos um pressentimento, podemos considerar que é uma mensagem vinda do plano espiritual. Mas e quanto a receber mensagens mediúnicas propriamente falando, como, por exemplo, uma psicografia?

Em mensagem transmitida a Divaldo Franco¹, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda traz vários pontos esclarecedores sobre a mediunidade:

  • como acontece a comunicação entre um Espírito e um médium?
  • a conduta do médium no dia a dia tem alguma importância para a mediunidade?
  • todos têm os mesmos tipos de mediunidade e podem receber quaisquer tipos de mensagens mediúnicas?
  • a mediunidade precisa de algum tipo de desenvolvimento ou educação?
  • a conduta moral do médium tem alguma influência para receber mensagens mediúnicas?
  • o que o médium deve fazer para receber mensagens dos Espíritos?
  • o que pode atrapalhar uma boa mediunidade?

Continue lendo este artigo e esclareça algumas dúvidas mais frequentes sobre a mediunidade.
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“Todos os homens são médiuns; todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo.” 

Channing (Espírito) – em “O Livro dos Médiuns” – Allan Kardec – Segunda parte – Das manifestações espíritas – Capítulo XXXI – Item X

Como acontece a comunicação entre um Espírito e um médium?

“À primeira vista, o intercâmbio seguro entre os Espíritos desencarnados e os homens parece revestir-se de muita simplicidade”, começa explicando Manoel Philomeno de Miranda. E ele continua:

“Considerando-se que, após a morte do corpo, o ser apresenta-se com todos os atributos que lhe caracterizavam a existência física, é de crer-se que o processo da comunicação mediúnica torna-se natural e rápido, fácil e simples.

Como em qualquer procedimento técnico, no entanto, vários requisitos são-lhe exigíveis, o que torna a sua qualidade difícil de ser conseguida, ao mesmo tempo, complexa para a sua realização.

O processo de comunicação dá-se somente através da identificação do Espírito com o médium, perispírito a perispírito, cujas propriedades de expansibilidade e sensibilidade, entre outras, permitem a captação do pensamento, das sensações e das emoções, que se transmitem de uma para outra mente através do veículo sutil.”

Ou seja, nessas considerações iniciais já podemos entender que uma boa comunicação mediúnica pode não ser tão simples. Essa atividade, como outra qualquer, requer certos cuidados, que são explicados pelo mentor espiritual. Continue lendo.

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A conduta do médium no dia a dia tem alguma importância para a mediunidade?

Como vimos acima, existe uma identificação do Espírito comunicante com o médium. E a comunicação, transmitida de um para outro através do perispírito, engloba tanto o pensamento como as sensações e as emoções, numa relação de intercâmbio entre os dois elementos – Espírito e médium.

Por isso é que Manoel Philomeno de Miranda se refere à importância de o médium conseguir manter o equilíbrio mental e psicológico. Segundo ele, “o médium é sempre um instrumento passivo, cuja educação moral e psíquica lhe concederá recursos hábeis para um intercâmbio correto. Nesse mister, inúmeros impedimentos se apresentam durante o fenômeno, que somente o exercício prolongado e bem dirigido consegue eliminar.”

O autor espírita destaca, em seguida, fatores que podem afetar negativamente o intercâmbio mediúnico. Diz ele que, “dentre outros, vale citar as fixações mentais, os conflitos e os hábitos psicológicos do sensitivo”. Estes desequilíbrios podem, certamente, prejudicar a qualidade e até a idoneidade da comunicação espiritual.

Para ilustrar, Manoel Philomeno lembra que um músico, além de suas habilidades e virtuosismo, também depende da qualidade do instrumento que utiliza para obter o melhor resultado. Assim também acontece com uma mensagem mediúnica. Por mais elevada que seja a entidade espiritual, sua comunicação será recebida de acordo com as qualidades do instrumento, isto é, do médium.

Em outras palavras, “os valores intelectuais e morais do médium têm preponderância na ocorrência fenomênica, porquanto serão os seus conhecimentos, atuais ou passados, que vestirão as ideias transmitidas pelos desencarnados. Desse modo, a qualidade da comunicação mediúnica está sempre a depender dos valores evolutivos do seu intermediário.”

Note-se que o benfeitor espiritual se refere a “conhecimentos, atuais ou passados”. Isto porque todas as aquisições morais e intelectuais permanecem após a morte do corpo físico, agregando valor à evolução do Espírito.

Todos têm os mesmos tipos de mediunidade e podem receber quaisquer tipos de mensagens mediúnicas?

“Não há dois médiuns iguais, qual ocorre em outras áreas das atividades humanas, nas quais cada pessoa apresenta-se com os seus próprios recursos, assinalada pelas suas particulares características”, explica Manoel Philomeno de Miranda.

Ele complementa essa questão com alguns exemplos. Assim, quando um médium apresenta “excelentes registros e grande fidelidade no conteúdo da mensagem recebida, eis que defrontamos alguém que repete experiências transatas, havendo sido instrumento mediúnico anteriormente”.

Da mesma forma, é possível que um médium “tenha maior facilidade para o registro de mensagens de um tipo literário ao invés de outro, logrando, por exemplo, admiráveis romances e deploráveis poemas, belas pinturas e más esculturas, facilidade para expressar-se em idiomas que não apenas aquele que hoje lhe é familiar, em razão de experiências vivenciadas em reencarnações anteriores.

Além disso, o autor espiritual comenta sobre as diferenças no tocante à evolução do Espírito comunicante. “Também há médiuns com aptidão para receber Espíritos sofredores, o que lhes deve constituir uma bênção”. Esta é uma ação caridosa, por levar consolo e entendimento aos irmãos espirituais que ainda não se desvincularam das ideias terrenas. Por outro lado, continua Manoel Philomeno, “haverá, igualmente, a mesma predisposição para sintonizar com as Entidades Nobres, delas haurindo e transmitindo a inspiração, a sabedoria e a paz”.

Concluindo estas explicações, ele lembra que “a ideia, o impulso procedem sempre do Espírito desencarnado, porém o revestimento, a execução vem dos cabedais arquivados no inconsciente do médium”.

E, para nosso melhor entendimento, Manoel Philomeno usa uma comparação facilmente compreensível: “A luz do Sol ou outra qualquer, ao ser coada por uma lâmina transparente, reaparecerá no tom que lhe é conferido pelo filtro. No fenômeno mediúnico sucede da mesma forma”.

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A mediunidade precisa de algum tipo de desenvolvimento ou educação?

Quanto ao correto desenvolvimento da mediunidade, Manoel Plhilomeno é categórico: “O exercício, que educa os impulsos e comanda a passividade, é de capital importância.”

E ele explica o porquê: “À medida que vão sendo eliminados os conflitos pessoais, mais transparentes e fiéis se farão as mensagens, caracterizando os seus autores pelo conteúdo, estilo, elaboração da ideia e, nas manifestações artísticas, pelas expressões de beleza que apresentam.”

Mas o benfeitor alerta quanto ao cultivo das habilidades mediúnicas com método e constância. Afinal, “a educação mediúnica, à semelhança do desenvolvimento de qualquer aptidão, impõe tempo, paciência, perseverança, estudo, interesse”.

A conduta moral do médium tem alguma influência para receber mensagens mediúnicas?

A conduta moral é um fator preponderante no exercício da mediunidade. Isto se deve em função da sintonia que se estabelece, relativamente a esse aspecto, com os Espíritos desencarnados.

Assim, esclarece Manoel Philomeno de Miranda, “uma existência assinalada pela leviandade, por abusos de comportamento, por atitudes vulgares, atrai Espíritos igualmente irresponsáveis, perversos, perturbadores e zombeteiros.

A convivência psíquica com essas mentes e seres costuma por afetar as faculdades mentais do indivíduo, que termina vitimado por lamentáveis processos de obsessão, na sua variada catalogação.

As comunicações sérias e nobres somente têm lugar por instrumentos dignos e equilibrados”, enfatiza o mentor espiritual.

O que o médium deve fazer para receber mensagens dos Espíritos?

A resposta a esta pergunta é bem simples e direta. Manoel Philomeno diz que “na sua condição de instrumento e na sua postura de passividade, o médium não pode provocar determinadas comunicações, mas sim, criar as condições e aguardar que ocorram.

Cabe-lhe estar vigilante para atender as chamadas que se originam no mundo espiritual, fazendo-se maleável e fiel portador da responsabilidade que lhe diz respeito.”

Ou seja, os Espíritos não ficam à nossa disposição, nem se manifestam atendendo aos nossos desejos ou caprichos. Por isso as reuniões mediúnicas nas casas espíritas ocorrem em horários determinados, quando as equipes espirituais comparecem para os atendimentos que se fazem necessários.

O que pode atrapalhar uma boa mediunidade?

Além das orientações já dadas quanto à conduta moral, à dedicação e ao estudo, Manoel Philomeno anota outros itens relevantes para receber as mensagens mediúnicas.

Assim, para o bom exercício da mediunidade, o organismo do médium deve estar isento de “altas cargas tóxicas de qualquer natureza, porquanto as emoções em desalinho, o cansaço, as toxinas resultantes dos excessos alimentares bloqueiam os núcleos de transformação do pensamento captado nas mensagens”. Isso afeta a recepção mais adequada das mensagens, da mesma forma que o desempenho também fica comprometido em outras atividades intelectuais ou profissionais.

E o mentor espiritual deixa um grave alerta: “Quando acontece pela violência, sem a observância dos requisitos essenciais exigíveis, alguns dos quais aqui exarados, já que outros ainda existem e merecem estudos, estamos diante de manifestações obsessivas, de episódios mediúnicos perturbadores, nunca, porém, de fenômenos que se expressem com a condição espírita para uma vivência mediúnica dignificadora”.

Portanto, “a atitude física, emocional e mental saudáveis, são a condição ideal para que o fenômeno mediúnico suceda com equilíbrio e rentabilidade”, diz Manoel Philomeno de Miranda.

Redação Espiritismo em Foco

Referências

1 – Artigo inspirado na mensagem “Complexidade do fenômeno mediúnico”, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 01/11/1993, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia – Fonte: Federação Espírita do Paraná


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